Sílvio Guedes Crespo
O jornal britânico “Financial Times” publicou um editorial e uma reportagem sobre o novo governo brasileiro. Os dois textos mostram as diferenças entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
Em ambos, a conclusão é de que a atual tende a ser melhor do que o anterior. O editorial aponta mudanças introduzidas por Dilma nas políticas do governo e diz, com todas as letras, que ela “rompeu com políticas” de Lula; a reportagem fala dos contrastes de estilo de gestão entre os dois.
Não custa lembrar dois fatos recentes na imprensa internacional. No ano passado, o “Financial Times” escrevera que o então candidato José Serra era a melhor opção para o Brasil. E neste ano, o jornal espanhol “El País” já escreveu uma reportagem no mesmo tom desta última do “FT”, na qual afirma que Dilma está impondo seu estilo, mais rígido e eficiente do que o de Lula.
Veja algumas diferenças entre Lula e Dilma apontadas no editorial:
- Lula se aproximou do Irã; Dilma está revertendo isso e “corretamente criticou” a recussa do governo anterior de aderir a uma resolução da ONU condenando o país persa por seus planos em energia nuclear;
- Lula “acertadamente aumentous os gastos” quando surgiu a crise internacional, mas “erroneamente” manteve-os por muito tempo, opina o “FT. Dilma reconheceu que isso é um problema e defendeu o menor reajuste possível para o salário mínimo. Além disso, a reportagem enfatiza que Dilma promete cortar entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões.
A CEO do Brasil
A imagem de boa gestora, que no Brasil encontra respaldo inclusive entre algumas pessoas de fora do PT ou do governo, é recebida com entusiasmo na imprensa europeia.
“Ainda que muitos brasileiros gostavam do toque pessoal de Lula da Silva, o estilo mais discreto e sistemático de Rousseff pode ser justamente o fator de que a maior economia da América Latina precisa para consolidar o rápido crescimento ocorrido nos últimos anos”, afirmou o “Financial Times”, com base em declarações de analistas.
A frase de um importante investidor dos Estados Unidos, impressa no jornal britânico, resume bem o que tem sido falado no mercado financeiro internacional sobre a nova chefe de governo: “Ela não é a nova presidente, mas a nova ‘chief executive officer’”. A expressão em inglês, normalmente abreviada como “CEO”, se refere ao cargo de presidente de empresa.
“Ela tem todas as características pessoais para ser a melhor presidente do Brasil, uma pessoa que escolhe as prioridades corretamente e é forte o bastante para levá-las adiante”, disse o investidor, cujo nome o “FT” não identifica.
Para analistas ouvidos pelo “FT”, o “estilo Dilma” é uma questão de sobrevivência política: como ela não tem a popularidade que Lula construiu ao longo de anos, precisa manter um crescimento econômico entre 3% e 5% ao ano para se manter no poder.

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