O que mais impressiona na longa entrevista de Dilma Rousseff ao programa de Ana Maria Braga é a postura franca assumida pela presidente. Sem pose, sem empáfia, sem forjar simpatia ou informalidade, Dilma, mineiramente, vai firmando o próprio estilo, que já parece ser reconhecido pela população.
A presidente que pouco aparece, ainda mais para tratar de temas pessoais, provoca interesse e vem sendo observada com boa vontade até pelos que não foram seus eleitores. É bem verdade que os primeiros seis meses de governo funcionam como uma espécie de lua de mel entre governante e governados. Mas a Dilma que se apresentou no programa de público alvo feminino nesta terça está a léguas de distância da pré-candidata que mal conseguia ler os discursos escritos pela equipe de marketing.
Uma de suas declarações chama a atenção. A presidente acredita que a população a vê como pessoa comum, e considera importante que o povo se identifique com seu governante. A lição política deve ter sido aprendida do presidente Lula, que perseguiu e exercitou cotidianamente esta identidade popular.
No caso de Dilma, o mérito está justamente em não se esforçar para ser popular – o que certamente a tornaria uma espécie de jogadora da reserva, com Lula fora de campo. Quanto mais a presidente expõe seu estilo sóbrio, compenetrado e sem falsa simpatia, mais parece acertar na comunicação, sem o filtro dos entendedores de opinião pública. É a verdade que agrada e legitima.
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