A presidente Dilma Rousseff já dá sinais de impaciência com a valorização do real frente ao dólar. “Tem de achar uma solução para o câmbio, não pode continuar dessa forma”, disse ela ao presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, numa reunião na sexta-feira. “Não posso afirmar que ela tomará medidas, porque ela não me disse isso, mas fiquei com a impressão que ela vai agir, sim, porque deixou clara sua preocupação com o câmbio”, relatou Andrade. A entidade defende que o governo adote medidas tradicionais, como tributar mais fortemente a entrada de capitais estrangeiros.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vão discutir neste início de semana a necessidade de adoção de novas medidas para conter uma queda maior do dólar. Os dois conversaram na sexta-feira passada, quando a moeda norte-americana chegou a R$ 1,61, a menor cotação desde 21 de agosto de 2008, o que exacerbou a preocupação do governo com o problema cambial no País.
Segundo fontes do Ministério da Fazenda, a equipe econômica tem outras medidas cambiais prontas que podem ser acionadas, entre elas a extensão da alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de empréstimos externos para prazos superiores a 360 dias e também maiores restrições aos bancos. Na terça-feira passada, o governo já havia aumentado para 6% a alíquota do IOF para empréstimos externos de bancos e empresas com prazo inferior a 360 dias. Mesmo com a adoção de mais uma medida, o dólar continuou derretendo no mercado financeiro.
Os rumores de que governo tomaria mais ações no câmbio ganharam força na quinta-feira passada, depois que Tombini, durante encontro com parlamentares, sinalizou que o BC estava atento ao ingresso de capital especulativo no País e “disposto a tomar novas medidas” para conter a volatilidade da taxa de câmbio. Havia uma expectativa de que o Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reuniu naquele dia, tomasse novas medidas, o que não aconteceu. Mantega chegou a se reunir com a presidente Dilma antes da reunião, cujo horário de início foi adiado, o que só alimentou os rumores.
O nervosismo dentro da equipe econômica aumentou na sexta-feira, com informações que circularam nas agências de tempo real que o governo tinha desistido de novas medidas de curto prazo para combater o câmbio valorizado devido à avalanche de recursos entrando no País. “É preciso tomar novas medidas e manter o suspense no mercado”, disse uma fonte da equipe econômica, negando que o governo esteja abandonando o combate do câmbio.
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