Apesar de ser uma “estreante” em mandatos eletivos, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT), primeira mulher eleita pelo Estado para o Senado, vem assumindo um papel de destaque na linha de frente da defesa do governo Dilma Rousseff no Congresso Nacional. Esta semana, Gleisi protagonizou mais uma vez o embate com a oposição, ao se contrapor ao discurso do senador Aécio Neves (PSDB), que apontado como provável candidato à presidência para 2014, ocupou a tribuna do Senado para fazer um balanço crítico dos primeiros cem dias da nova administração federal.
Na semana passada, a petista já havia se degladiado com o senador Alvaro Dias (PSDB), quando o líder tucano acusou Dilma de ter admitido a prática de “balcão de negócios” para a aprovação de projetos de interesse do Palácio do Planalto no Legislativo. Na ocasião, Gleisi desafiou Alvaro a provar as acusações, classificando-as de “ilações levianas”.
Na quarta-feira, Aécio procurou dar o tom do que deve ser a oposição ao governo Dilma, acusando a nova administração de repetir os erros do antecessor, ao promover o “aparelhamento” do Estado. Segundo ele, as principais conquistas dos pouco mais de oito anos do PT no governo federal teriam como base a continuação da política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso.
Fiel a seu estilo polido mas firme, Gleisi reagiu qualificando inicialmente como “elegante” o discurso de Aécio e elogiando a iniciativa de reconhecer as realizações de governos anteriores. Ela disse não ter problemas em reconhecer avanços do governo de Fernando Henrique Cardoso, como a continuidade do Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas afirmou que “nem tudo são flores” e que algumas questões, como a das privatizações, não foram contempladas no discurso do tucano.
“Foi uma transferência do patrimônio público para o patrimônio privado financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (Econômico e) Social. Também não se colocou a forma escandalosa como nós tivemos a aprovação da reeleição no Congresso Nacional, mudando as regras no jogo no momento em que o jogo estava se dando”, afirmou.
A petista argumentou ainda que, ao contrário do antecessor, o governo Lula utilizou a estabilidade conquistada em governos anteriores para promover a inclusão social. “Foi muito diferente a condução do presidente Lula no enfrentamento a uma das maiores crises internacionais da que nós tivemos com o governo do PSDB. Naquele momento, o governo do PSDB aumentava juros, restringia crédito e diminuía investimentos públicos. Com o governo Lula, foi uma política anti-cíclica”, lembrou.
O desempenho de Gleisi chamou a atenção da imprensa nacional, que apontou-a como uma das novas boas surpresas na base governista. A petista, que descartou disputar a prefeitura de Curitiba no ano que vem, já é apontada como principal nome para enfrentar o tucano Beto Richa (PSDB) na eleição para o governo do Paraná, em 2014.

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