A presidente Dilma Rousseff chegou às 12h18, horário local, na Casa Rosada, sede do governo argentino, onde já era esperada por representantes das Mães e Avós da Praça de Maio.
"A Argentina é um exemplo para o Brasil no campo de direitos humanos, na sua busca de desaparecidos da ditadura militar", afirmou Estela de Carlotto, presidente da associação.
Dilma chegou acompanhada de oito ministros. Foi recebida pela presidente argentina Cristina Kirchner, que lhe deu um abraço carinhoso no Salão Branco da Casa Rosada, destinado às recepções oficiais. Em seguida, Dilma e Cristina se dirigiram para um encontro reservado, enquanto os ministros brasileiros começaram uma reunião paralela com seus colegas argentinos.
A reunião com as Mães e Avós da Praça de Maio aconteceria logo após a reunião privada entre as duas presidentes. Segundo Estela de Carlotto, pelo fato de Dilma ter sido "vítima da ditadura brasileira", ela "sabe bem do que fala quando propõe revisar a história, fazer justiça e impor a verdade".
Segundo assessores de Dilma, um dos objetivos de sua viagem à Argentina, a primeira oficial ao exterior desde que tomou posse, é enfatizar a sua política de defesa de direitos humanos. A presidente brasileira tem dito que irá condenar qualquer desrespeito aos direitos humanos no mundo, seja em que país eles acontecerem.
Dilma chegou acompanhada dos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Nelson Jobim (Defesa), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Paulo Bernardo (Comunicações), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Mário Negromonte (Cidades), Márcio Zimmermann (Minas e Energia) e Iriny Lopes (Direitos das Mulheres).
Após o encontro com as Mães e Avós da Praça de Maio, Dilma assinaria, numa reunião conjunta com a presidente argentina e os ministros dos dois países, cerca de 15 acordos. Entre eles, o que prevê a construção de um reator de pesquisa nuclear.
Depois dessa reunião, Dilma e Cristina Kirchner fariam um declaração conjunta à imprensa, seguindo para um almoço no Palácio San Martín, sede do ministério das relações exteriores local.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Dilma decide ir ao Congresso levar mensagem presidencial
A presidente Dilma Rousseff decidiu que vai ao Congresso Nacional entregar a mensagem presidencial, na quarta-feira, informa o "Painel" da Folha, editado interinamente por Ranier Bragon .
O gesto repete o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2003 também ignorou a tradição de reservar a tarefa ao ministro da Casa Civil.
Na solenidade, que marca o início da legislatura, Dilma lerá a introdução da mensagem, calhamaço que reúne as diretrizes do governo, mas que no Brasil costuma despertar pouco interesse político.
Segundo aliados, a ida da presidente busca aplacar críticas de que estaria menosprezando a relação com os congressistas.
Embora majoritária, sua base de apoio abriga disputa PT x PMDB por cargos, além de setores que buscam elevar os R$ 545 propostos para o mínimo.
O gesto repete o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2003 também ignorou a tradição de reservar a tarefa ao ministro da Casa Civil.
Na solenidade, que marca o início da legislatura, Dilma lerá a introdução da mensagem, calhamaço que reúne as diretrizes do governo, mas que no Brasil costuma despertar pouco interesse político.
Segundo aliados, a ida da presidente busca aplacar críticas de que estaria menosprezando a relação com os congressistas.
Embora majoritária, sua base de apoio abriga disputa PT x PMDB por cargos, além de setores que buscam elevar os R$ 545 propostos para o mínimo.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Mais de 10 mil unidades do ‘Minha Casa, Minha Vida’
POR CRISTIANE CAMPOS
Rio - Mesmo sem o anúncio oficial da presidenta Dilma Rousseff sobre a segunda fase do ‘Minha Casa, Minha Vida’, os lançamentos pelo programa do governo federal continuam a tomar conta da cidade. Neste ano, estão sendo lançados mais de 10 mil imóveis, e a maioria fica em bairros como Campo Grande e na Baixada Fluminense. A construtora Mudar, por exemplo, anuncia o lançamento de quase 10 mil unidades no País. Somente no Rio, serão 3.600.
Segundo o presidente da empresa focada no segmento econômico, Augusto Martínez de Almeida, os empreendimentos serão construídos nos bairros de Campo Grande, Vargem Pequena, Jacarepaguá e nos municípios de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Itaboraí, Macaé e São Gonçalo. “Os imóveis vão custar entre R$ 98 mil e R$ 102 mil e estão totalmente enquadrados no modelo atual do programa do governo”, adianta.
A Rossi vai ofertar 420 apartamentos, em parceria com a construtora Enes, em Campo Grande. “Serão unidades de dois quartos, que vão variar de R$ 96 mil a R$ 115 mil, em um dos melhores pontos. Próximo ao condomínio da Michelin, na Estrada da Cachamorra”, anuncia o gerente regional da empresa, Rafael Furtado.
À ESPERA DA NOVA FASE
De acordo com o diretor da Basimóvel, Mario Amorim, os projetos que estão na faixa de R$ 100 mil têm a melhor liquidez. “Agora, os imóveis acima desse valor aguardam nova fase do programa que deve elevar de R$ 130 mil a R$ 150 mil o preço da unidade”, diz Amorim. Ele lembra que, neste segmento, os interessados na compra da casa própria querem saber se têm condições de adquirir a tão sonhada moradia. Escolha do local e do empreendimento passa a pesar menos na opção de compra.
Para esse público, o importante é saber se eles têm direito ao subsídio (desconto) que chega a R$ 23 mil e a outros benefícios do programa, como taxas de juros menores e prestação garantida em até 36 meses no caso de perda de emprego. A Comasa também vai lançar pela primeira vez projetos do ‘Minha Casa, Minha Vida’. O Condomínio Estrelas da Vila, em Vila Isabel,terá 14 unidades das 50 enquadradas no programa.
Lazer completo e segurança
Os empreendimentos do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ estão cada vez mais completos. Isso porque os construtores têm feito projetos que incluem guarita de segurança e lazer completo. Diretor da Percepttiva, Rafael Duarte ressalta que são levados em conta o custo de manutenção do condomínio para que não pese tanto no orçamento das famílias.
“Os lançamentos estão por toda parte. Temos mais de 1 mil unidades para o início de ano. A maioria também ficará em Campo Grande”, diz Duarte. Ele ressalta que os terrenos encareceram muito por conta do boom imobiliário. Por isso, a conta de imóveis até R$ 130 mil não fecha. Para ele, os valores de avaliação deveriam variar entre R$ 150 mil e R$ 160 mil.
A construtora Fernandes Araujo contará com cinco empreendimentos em Bangu, Campo Grande e Freguesia, totalizando 756 unidades. Já a Arte a Metro terá 772 imóveis espalhados por Campo Grande, São Cristóvão e Duque de Caxias, na Baixada.
A AG Prima vai ofertar 740 unidades, das quais 490 até R$ 1.395 e as restantes até R$ 4.900. Os bairros escolhidos são Campo Grande, Santa Cruz e o município de Araruama.
Rio - Mesmo sem o anúncio oficial da presidenta Dilma Rousseff sobre a segunda fase do ‘Minha Casa, Minha Vida’, os lançamentos pelo programa do governo federal continuam a tomar conta da cidade. Neste ano, estão sendo lançados mais de 10 mil imóveis, e a maioria fica em bairros como Campo Grande e na Baixada Fluminense. A construtora Mudar, por exemplo, anuncia o lançamento de quase 10 mil unidades no País. Somente no Rio, serão 3.600.
Segundo o presidente da empresa focada no segmento econômico, Augusto Martínez de Almeida, os empreendimentos serão construídos nos bairros de Campo Grande, Vargem Pequena, Jacarepaguá e nos municípios de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Itaboraí, Macaé e São Gonçalo. “Os imóveis vão custar entre R$ 98 mil e R$ 102 mil e estão totalmente enquadrados no modelo atual do programa do governo”, adianta.
A Rossi vai ofertar 420 apartamentos, em parceria com a construtora Enes, em Campo Grande. “Serão unidades de dois quartos, que vão variar de R$ 96 mil a R$ 115 mil, em um dos melhores pontos. Próximo ao condomínio da Michelin, na Estrada da Cachamorra”, anuncia o gerente regional da empresa, Rafael Furtado.
À ESPERA DA NOVA FASE
De acordo com o diretor da Basimóvel, Mario Amorim, os projetos que estão na faixa de R$ 100 mil têm a melhor liquidez. “Agora, os imóveis acima desse valor aguardam nova fase do programa que deve elevar de R$ 130 mil a R$ 150 mil o preço da unidade”, diz Amorim. Ele lembra que, neste segmento, os interessados na compra da casa própria querem saber se têm condições de adquirir a tão sonhada moradia. Escolha do local e do empreendimento passa a pesar menos na opção de compra.
Para esse público, o importante é saber se eles têm direito ao subsídio (desconto) que chega a R$ 23 mil e a outros benefícios do programa, como taxas de juros menores e prestação garantida em até 36 meses no caso de perda de emprego. A Comasa também vai lançar pela primeira vez projetos do ‘Minha Casa, Minha Vida’. O Condomínio Estrelas da Vila, em Vila Isabel,terá 14 unidades das 50 enquadradas no programa.
Lazer completo e segurança
Os empreendimentos do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ estão cada vez mais completos. Isso porque os construtores têm feito projetos que incluem guarita de segurança e lazer completo. Diretor da Percepttiva, Rafael Duarte ressalta que são levados em conta o custo de manutenção do condomínio para que não pese tanto no orçamento das famílias.
“Os lançamentos estão por toda parte. Temos mais de 1 mil unidades para o início de ano. A maioria também ficará em Campo Grande”, diz Duarte. Ele ressalta que os terrenos encareceram muito por conta do boom imobiliário. Por isso, a conta de imóveis até R$ 130 mil não fecha. Para ele, os valores de avaliação deveriam variar entre R$ 150 mil e R$ 160 mil.
A construtora Fernandes Araujo contará com cinco empreendimentos em Bangu, Campo Grande e Freguesia, totalizando 756 unidades. Já a Arte a Metro terá 772 imóveis espalhados por Campo Grande, São Cristóvão e Duque de Caxias, na Baixada.
A AG Prima vai ofertar 740 unidades, das quais 490 até R$ 1.395 e as restantes até R$ 4.900. Os bairros escolhidos são Campo Grande, Santa Cruz e o município de Araruama.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Há um mês na Presidência, Dilma continua no Torto
Há quase um mês na Presidência, Dilma Rousseff continua morando na Granja do Torto, espécie de casa de campo oficial, em Brasília, onde passa o final de semana sem compromissos oficiais. Segundo assessores, a presidenta não deverá receber nenhuma visita de trabalho e passa o sábado e domingo descansando. Na segunda pela manhã, ela embarca para a Argentina onde cumpre uma agenda intensa com a presidente Cristina Kirchner.
Dilma só deverá mudar para o Palácio do Alvorada no começo de fevereiro. Em 2003, ao ser eleito pela primeira vez, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mudou para o Alvorada já no dia 4 de janeiro.
A presidenta espera a conclusão de alguns reparos no palácio para se mudar. Ao ser eleita, ela avisou que passaria a viver no Alvorada acompanhada da mãe, Dilma Jane, e da tia, Arilda. Elas deixaram Belo Horizonte (MG) para morar com Dilma no Alvorada. A exemplo da Granja do Torto, o Alvorada terá um quarto reservado para a filha Paula, o marido Rafael Covolo e o neto Gabriel.
Desde o dia 15 de novembro, Dilma passou a morar na Granja do Torto e lá permaneceu durante todo o período de transição do governo. Os antecessores de Dilma, os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso afirmaram que o local era um dos mais agradáveis de Brasília, porque reunia beleza natural com uma arquitetura simples e acolhedora.
Os ex-presidentes também elegeram a Granja do Torto como o lugar para as reuniões ministeriais. Além de uma ampla sala, o local, que fica distante do centro de Brasília, dispõe de uma ampla área privativa. Ao se mudar para o Torto, Dilma repetiu o que fez o presidente Lula, em 2002, durante a transição.
Dilma só deverá mudar para o Palácio do Alvorada no começo de fevereiro. Em 2003, ao ser eleito pela primeira vez, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mudou para o Alvorada já no dia 4 de janeiro.
A presidenta espera a conclusão de alguns reparos no palácio para se mudar. Ao ser eleita, ela avisou que passaria a viver no Alvorada acompanhada da mãe, Dilma Jane, e da tia, Arilda. Elas deixaram Belo Horizonte (MG) para morar com Dilma no Alvorada. A exemplo da Granja do Torto, o Alvorada terá um quarto reservado para a filha Paula, o marido Rafael Covolo e o neto Gabriel.
Desde o dia 15 de novembro, Dilma passou a morar na Granja do Torto e lá permaneceu durante todo o período de transição do governo. Os antecessores de Dilma, os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso afirmaram que o local era um dos mais agradáveis de Brasília, porque reunia beleza natural com uma arquitetura simples e acolhedora.
Os ex-presidentes também elegeram a Granja do Torto como o lugar para as reuniões ministeriais. Além de uma ampla sala, o local, que fica distante do centro de Brasília, dispõe de uma ampla área privativa. Ao se mudar para o Torto, Dilma repetiu o que fez o presidente Lula, em 2002, durante a transição.
Painel: irritada, Dilma deve trocar toda diretoria de Furnas
Irritada com a confusão armada em Furnas, a presidente Dilma Rousseff passou boa parte da tarde de ontem em São Paulo discutindo o problema com o ministro Antonio Palocci (Casa Civil).
Segundo o "Painel" da Folha, editado interinamente por Ranier Bragon (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), na próxima semana, a troca de comando na estatal deve ser sacramentada, com tendência de mudança de toda a diretoria.
O governo avisou o PMDB que não aceitará indicações do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ostenta forte influência em Furnas.
Ontem, foram discutidas várias opções. Entre elas a de entregar a presidência a Flávio Decat, homem de confiança de Dilma e até então cotado para a Eletrobras.
Outra sugestão posta à mesa da presidente foi a de mover Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil e hoje no Banco Safra, para o setor elétrico.
Segundo o "Painel" da Folha, editado interinamente por Ranier Bragon (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), na próxima semana, a troca de comando na estatal deve ser sacramentada, com tendência de mudança de toda a diretoria.
O governo avisou o PMDB que não aceitará indicações do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ostenta forte influência em Furnas.
Ontem, foram discutidas várias opções. Entre elas a de entregar a presidência a Flávio Decat, homem de confiança de Dilma e até então cotado para a Eletrobras.
Outra sugestão posta à mesa da presidente foi a de mover Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil e hoje no Banco Safra, para o setor elétrico.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Dilma diz que governo manterá oferta de R$ 545 para mínimo
ANA FLOR
ENVIADA A PORTO ALEGRE
A presidente Dilma Rousseff disse na tarde desta sexta-feira (28), em Porto Alegre, que a oferta do governo para o salário mínimo está mantida nos R$ 545 e que uma discussão simultânea do reajuste da tabela do Imposto de Renda nas negociações "não é correta".
Dilma decidiu endurecer o discurso depois de integrantes do governo terem admitido que o Planalto poderia ceder nas conversas com as centrais sindicais e chegar a um valor maior para o mínimo, desde que houvesse desconto do valor excedido no reajuste do próximo ano.
"O que queremos saber é se as centrais querem ou não a manutenção do acordo [feito com o governo Lula] pelo período do nosso governo. Se querem, o que nós propomos para esse ano é R$ 545", disse. O governo já vem pagando R$ 540, valor reajustado no final do governo Lula. As centrais querem R$ 580.
A presidente afirmou ainda, em relação à tabela do IR, que o governo não irá discutir mudanças na política de indexação.
"Jamais damos indexação inflacionária, por isso não concordamos com o que saiu nos jornais que o reajuste, se houvesse, da tabela do IR, fosse feita pela inflação passada. Teria sempre que olhar não a inflação passada, porque isso seria carregar a inércia inflacionária para dentro de uma questão essencial que é o Imposto de Renda."
"O que foi dado sempre foi uma mudança baseada na nossa expectativa de inflação futura, que é o centro da [meta da] inflação, os 4,5%", completou.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que a correção da tabela do IR esteja sob estudo.
Dilma fez questão de afirmar que as negociações com as centrais estão "apenas começando". Segundo ela, não há desencontro nas informações de seus ministros Mantega e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), que negocia com as centrais.
ENVIADA A PORTO ALEGRE
A presidente Dilma Rousseff disse na tarde desta sexta-feira (28), em Porto Alegre, que a oferta do governo para o salário mínimo está mantida nos R$ 545 e que uma discussão simultânea do reajuste da tabela do Imposto de Renda nas negociações "não é correta".
Dilma decidiu endurecer o discurso depois de integrantes do governo terem admitido que o Planalto poderia ceder nas conversas com as centrais sindicais e chegar a um valor maior para o mínimo, desde que houvesse desconto do valor excedido no reajuste do próximo ano.
"O que queremos saber é se as centrais querem ou não a manutenção do acordo [feito com o governo Lula] pelo período do nosso governo. Se querem, o que nós propomos para esse ano é R$ 545", disse. O governo já vem pagando R$ 540, valor reajustado no final do governo Lula. As centrais querem R$ 580.
A presidente afirmou ainda, em relação à tabela do IR, que o governo não irá discutir mudanças na política de indexação.
"Jamais damos indexação inflacionária, por isso não concordamos com o que saiu nos jornais que o reajuste, se houvesse, da tabela do IR, fosse feita pela inflação passada. Teria sempre que olhar não a inflação passada, porque isso seria carregar a inércia inflacionária para dentro de uma questão essencial que é o Imposto de Renda."
"O que foi dado sempre foi uma mudança baseada na nossa expectativa de inflação futura, que é o centro da [meta da] inflação, os 4,5%", completou.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que a correção da tabela do IR esteja sob estudo.
Dilma fez questão de afirmar que as negociações com as centrais estão "apenas começando". Segundo ela, não há desencontro nas informações de seus ministros Mantega e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), que negocia com as centrais.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O discreto estilo de Dilma Rousseff
Conservadora no traje, eficaz, firme, pontual na ação de governo
Primeira mulher a comandar o País, a presidenta se veste de forma sóbria. Um pouco conservadora, há quem diga. Nas roupas, opta pelos tons café, terracota e bege. A maquiagem é discreta e as joias, pouco chamativas. “Ser mulher presidenta não é fácil. Para os homens é mais simples, basta sair com uma camisa e uma gravata. O que fiz foi me adaptar às agendas, porque era complexo ter sempre comigo um par de sapatos diferentes se saía a campo ou um vestido, se tinha de comparecer a algo mais formal”, declarou a presidenta. Não, não foi Dilma Rousseff quem disse isso, mas sua colega Laura Chinchilla, que tomou posse em maio do ano passado na Costa Rica.
Uma coisa é se eleger presidenta. Outra é livrar-se da abordagem “feminina” (alguns diriam fútil) do fato de uma mulher ter chegado lá. Nem Ângela Merkel, a dama de ferro alemã, se livrou de ter a maneira de vestir discutida, o que talvez desminta a ideia de que seria provincianismo nosso explorar batons, marcas de roupa, bolsas e sapatos da mulher que chegou à Presidência. Ora a imprensa alemã caçoava da imagem da candidata pescando ao lado do marido, metida em uma calça de agasalho e camisa masculina, ora fazia troça do inusitado decote da já primeira-ministra em uma noite na ópera de Oslo, em 2008. E que, diga-se de passagem, deixava à mostra um belo colo de mulher aos então 53 anos de idade.
Há menos de um mês no cargo, já sabemos pela imprensa que a presidenta Dilma usou batom na cor cereja queimada ao posar para a foto oficial, aquela que vai ser pendurada nas paredes das repartições Brasil afora. Tendo ao fundo as colunas do Alvorada, houve pouco retoque nas fotos – segundo o fotógrafo Roberto Stuckert Filho, a pedido da própria – e se percebem as marcas de expressão da presidenta. Exatamente o contrário do que aconteceu na Nova Zelândia há dois anos, quando o lisonjeiro, para dizer o mínimo, pôster de campanha da então primeira-ministra Helen Clark causou polêmica ao tornar retos seus dentes tortos sem a ajuda de aparelho e ao suavizar-lhe os traços em uma espécie de lifting digital que o fotógrafo Monty Adams jura sobre a Bíblia não ter executado.Candidata à reeleição, Clark perdeu.
É certo que o estilo de Dilma, visualmente falando, difere das outras duas mulheres que chegaram ao topo na América do Sul. A ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet vestia-se de forma talvez ainda mais conservadora do que a brasileira. Sequer tirou os óculos ou mudou o penteado, como Dilma, ao se tornar candidata. A argentina Cristina Kirchner, pelo contrário, é bem mais ousada e abusa da maquiagem pesada e das cores fortes. Comparadas por especialistas em moda de seu país, Michelle seria o retrato da mulher chilena, mais “mamãe”, enquanto Cristina espelharia as argentinas, mais “coquetes”, seguindo a linha da fashioníssima Eva Perón. Não foi perguntado às argentinas e chilenas se concordavam com a simplificação.
A imprensa argentina, pelo menos, foi capaz de explorar o tema também com os presidentes homens, como Carlos Menem, famoso por sempre carregar o cabeleireiro a bordo do avião presidencial, o Tango 1. Obcecado pela manutenção do toupée e das suíças, de perto era possível enxergar no presidente os retoques de tinta que fazia antes de cada uma das aparições oficiais. Em 2009, foi noticiado que Menem, mesmo às voltas com problemas judiciais, estava promovendo concurso para contratar um novo cabeleireiro, fluente em inglês e com passaporte americano em dia. O escolhido por Dilma, todo mundo já sabe, é o paulistano Celso Kamura.
Felizmente, em termos políticos, apesar das tentativas, aqui e ali, de frugalizar a chegada da mulher ao poder no Brasil, a comparação mais frequente até agora tem sido entre o jeito de governar de Dilma e o de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. O estilo discreto da presidenta conquistou inclusive velhos detratores do ex-presidente, que agora não regateiam elogios à sucessora. Ao aparecer, de galochas, em meio às enchentes no Rio de Janeiro, a presidenta foi unanimidade na mídia por ter feito declarações “cuidadosas”, em contraponto ao que foi criticado como “excessos” e “anormalidades” de Lula. Dilma seria mais “obediente” à liturgia do cargo do que seu popularíssimo antecessor.
No entorno da presidenta, os elogios são vistos com reservas. “Percebe-se que continuam a menosprezar Lula, a fazer com que seja visto como fanfarrão. Há uma tentativa, por um lado, de diminuí-lo e, por outro, de tentar intrigar Dilma com ele”, avalia uma fonte do Planalto. Não deixa de ser curioso que se aposte na cisão entre ex e sucessora como uma notícia boa, quando durante a campanha um dos elementos de terror utilizados pela oposição a Dilma era que brigaria com o homem que a alçou ao cargo na primeira oportunidade, instalando o caos no País.
Dito isso, não é só o fato de preferir tomar café coado ao expresso que Dilma difere de Lula. Ao que tudo indica, Dilma será a Dilma da Dilma. Ou seja, as funções de cobrar metas que Lula lhe delegava como ministra da Casa Civil foram assumidas por ela própria. Porta-se mais como gestora, no sentido empresarial do termo, e fala mais regularmente ao telefone com os ministros, embora faça questão de desfazer em algumas ocasiões a imagem de durona. Na primeira reunião ministerial, contou que em momentos de crise Lula dava-lhe duas reuniões para chegar a um acordo com o ministro em questão. Se o assunto não tivesse sido resolvido, ia parar na mesa dele. “E as pessoas se enganam achando que o Lula não era duro na hora de cobrar. Assim como Dilma, quando saía do sério, sai de baixo”, conta um ex-assessor.
Na reunião, a presidenta afirmou ao sucessor na Casa Civil, Antonio Palocci, que seria mais “generosa” do que Lula e lhe concedeu três reuniões para resolver os imbróglios. Mas Dilma mostrou também que será menos condescendente que o antecessor em relação ao fogo amigo. Disse que admitirá divergências em seu governo, desde que explicitadas internamente, não por meio dos jornais. Outra coisa que, afirmou, não vai tolerar é que, ao não concordar com um colega de ministério, o titular de determinada pasta leve a pendenga para o Congresso, como acontecia no governo Lula, quando, por exemplo, Reinhold Stephanes (Agricultura) volta e meia atiçava os ruralistas contra Marina Silva (Meio Ambiente).
“A presidenta deu um recado claro de que vai cobrar lealdade e espírito de equipe no grupo de ministros”, diz um colaborador. Dilma alertou que o ministério “não é feudo de ninguém” e defendeu que os titulares das pastas trabalhem com os demais. Até por isso, dividiu o governo em quatro áreas prioritárias em que os ministérios se interligam: “erradicação da miséria”, “direitos da cidadania”, “desenvolvimento econômico” e “infraestrutura”. O Ministério da Saúde, por exemplo, está em três dos fóruns, só não participa de desenvolvimento econômico. Fazenda não está em direitos da cidadania, mas pode ser convocado a comparecer.
A fase atual é de organização. Dilma espera dos ministros o retorno da tarefa que lhes deu nos primeiros dias de governo, de levantar em suas pastas os programas que estão funcionando bem e os que não estão. E que ninguém volte para a presidenta com as informações pedidas iniciando a fala com a frase “eu acho que”, que Dilma abomina. “Se o cara chega para a presidenta e diz ‘eu acho que’ já era, vai tomar uma chamada inesquecível, do tipo: ‘Você não tem de achar nada, tem de saber’”, confidencia um palaciano.
Com fama de “acelerada”, Dilma tem se mostrado mais exigente do que Lula com os horários. Começa o expediente no Palácio do Planalto por volta das 9h30, após caminhar na esteira ou ao ar livre na Granja do Torto, onde ainda reside – só vai se mudar para o Alvorada em fevereiro. Reúne-se toda manhã com o chefe de gabinete, Gilles Carriconde Azevedo, e a ministra Helena Chagas, da Comunicação, que lhes expõem os principais assuntos do dia. A presidenta lê as notícias pelo clipping preparado diariamente. Por enquanto, almoça no próprio palácio, mas a tendência é de que isso mude após a ida para o Alvorada, que é mais perto do Planalto do que o Torto. Vai embora por volta das 21h30.
Dilma Rousseff realmente pretende falar menos do que Lula, tanto em entrevistas quanto em discursos e aparições públicas. Estratégia de marketing ou cansaço depois da superexposição vivida na campanha? Nada disso, garante um assessor da presidenta. “É da natureza dela ser mais discreta. Até na época do combate à ditadura Dilma era uma pessoa dos bastidores, do planejamento. Nunca foi para a linha de frente.” De todo modo, é onde agora está, e a discrição no cargo que serve para elogios pode servir para críticas amanhã. Os momentos de acerto no governo poderão ser justificativa para reparos ao figurino, e vice-versa. Ossos do ofício: mulher sempre fez mesmo jornada dupla.
Cynara Menezes
Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.
Primeira mulher a comandar o País, a presidenta se veste de forma sóbria. Um pouco conservadora, há quem diga. Nas roupas, opta pelos tons café, terracota e bege. A maquiagem é discreta e as joias, pouco chamativas. “Ser mulher presidenta não é fácil. Para os homens é mais simples, basta sair com uma camisa e uma gravata. O que fiz foi me adaptar às agendas, porque era complexo ter sempre comigo um par de sapatos diferentes se saía a campo ou um vestido, se tinha de comparecer a algo mais formal”, declarou a presidenta. Não, não foi Dilma Rousseff quem disse isso, mas sua colega Laura Chinchilla, que tomou posse em maio do ano passado na Costa Rica.
Uma coisa é se eleger presidenta. Outra é livrar-se da abordagem “feminina” (alguns diriam fútil) do fato de uma mulher ter chegado lá. Nem Ângela Merkel, a dama de ferro alemã, se livrou de ter a maneira de vestir discutida, o que talvez desminta a ideia de que seria provincianismo nosso explorar batons, marcas de roupa, bolsas e sapatos da mulher que chegou à Presidência. Ora a imprensa alemã caçoava da imagem da candidata pescando ao lado do marido, metida em uma calça de agasalho e camisa masculina, ora fazia troça do inusitado decote da já primeira-ministra em uma noite na ópera de Oslo, em 2008. E que, diga-se de passagem, deixava à mostra um belo colo de mulher aos então 53 anos de idade.
Há menos de um mês no cargo, já sabemos pela imprensa que a presidenta Dilma usou batom na cor cereja queimada ao posar para a foto oficial, aquela que vai ser pendurada nas paredes das repartições Brasil afora. Tendo ao fundo as colunas do Alvorada, houve pouco retoque nas fotos – segundo o fotógrafo Roberto Stuckert Filho, a pedido da própria – e se percebem as marcas de expressão da presidenta. Exatamente o contrário do que aconteceu na Nova Zelândia há dois anos, quando o lisonjeiro, para dizer o mínimo, pôster de campanha da então primeira-ministra Helen Clark causou polêmica ao tornar retos seus dentes tortos sem a ajuda de aparelho e ao suavizar-lhe os traços em uma espécie de lifting digital que o fotógrafo Monty Adams jura sobre a Bíblia não ter executado.Candidata à reeleição, Clark perdeu.
É certo que o estilo de Dilma, visualmente falando, difere das outras duas mulheres que chegaram ao topo na América do Sul. A ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet vestia-se de forma talvez ainda mais conservadora do que a brasileira. Sequer tirou os óculos ou mudou o penteado, como Dilma, ao se tornar candidata. A argentina Cristina Kirchner, pelo contrário, é bem mais ousada e abusa da maquiagem pesada e das cores fortes. Comparadas por especialistas em moda de seu país, Michelle seria o retrato da mulher chilena, mais “mamãe”, enquanto Cristina espelharia as argentinas, mais “coquetes”, seguindo a linha da fashioníssima Eva Perón. Não foi perguntado às argentinas e chilenas se concordavam com a simplificação.
A imprensa argentina, pelo menos, foi capaz de explorar o tema também com os presidentes homens, como Carlos Menem, famoso por sempre carregar o cabeleireiro a bordo do avião presidencial, o Tango 1. Obcecado pela manutenção do toupée e das suíças, de perto era possível enxergar no presidente os retoques de tinta que fazia antes de cada uma das aparições oficiais. Em 2009, foi noticiado que Menem, mesmo às voltas com problemas judiciais, estava promovendo concurso para contratar um novo cabeleireiro, fluente em inglês e com passaporte americano em dia. O escolhido por Dilma, todo mundo já sabe, é o paulistano Celso Kamura.
Felizmente, em termos políticos, apesar das tentativas, aqui e ali, de frugalizar a chegada da mulher ao poder no Brasil, a comparação mais frequente até agora tem sido entre o jeito de governar de Dilma e o de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. O estilo discreto da presidenta conquistou inclusive velhos detratores do ex-presidente, que agora não regateiam elogios à sucessora. Ao aparecer, de galochas, em meio às enchentes no Rio de Janeiro, a presidenta foi unanimidade na mídia por ter feito declarações “cuidadosas”, em contraponto ao que foi criticado como “excessos” e “anormalidades” de Lula. Dilma seria mais “obediente” à liturgia do cargo do que seu popularíssimo antecessor.
No entorno da presidenta, os elogios são vistos com reservas. “Percebe-se que continuam a menosprezar Lula, a fazer com que seja visto como fanfarrão. Há uma tentativa, por um lado, de diminuí-lo e, por outro, de tentar intrigar Dilma com ele”, avalia uma fonte do Planalto. Não deixa de ser curioso que se aposte na cisão entre ex e sucessora como uma notícia boa, quando durante a campanha um dos elementos de terror utilizados pela oposição a Dilma era que brigaria com o homem que a alçou ao cargo na primeira oportunidade, instalando o caos no País.
Dito isso, não é só o fato de preferir tomar café coado ao expresso que Dilma difere de Lula. Ao que tudo indica, Dilma será a Dilma da Dilma. Ou seja, as funções de cobrar metas que Lula lhe delegava como ministra da Casa Civil foram assumidas por ela própria. Porta-se mais como gestora, no sentido empresarial do termo, e fala mais regularmente ao telefone com os ministros, embora faça questão de desfazer em algumas ocasiões a imagem de durona. Na primeira reunião ministerial, contou que em momentos de crise Lula dava-lhe duas reuniões para chegar a um acordo com o ministro em questão. Se o assunto não tivesse sido resolvido, ia parar na mesa dele. “E as pessoas se enganam achando que o Lula não era duro na hora de cobrar. Assim como Dilma, quando saía do sério, sai de baixo”, conta um ex-assessor.
Na reunião, a presidenta afirmou ao sucessor na Casa Civil, Antonio Palocci, que seria mais “generosa” do que Lula e lhe concedeu três reuniões para resolver os imbróglios. Mas Dilma mostrou também que será menos condescendente que o antecessor em relação ao fogo amigo. Disse que admitirá divergências em seu governo, desde que explicitadas internamente, não por meio dos jornais. Outra coisa que, afirmou, não vai tolerar é que, ao não concordar com um colega de ministério, o titular de determinada pasta leve a pendenga para o Congresso, como acontecia no governo Lula, quando, por exemplo, Reinhold Stephanes (Agricultura) volta e meia atiçava os ruralistas contra Marina Silva (Meio Ambiente).
“A presidenta deu um recado claro de que vai cobrar lealdade e espírito de equipe no grupo de ministros”, diz um colaborador. Dilma alertou que o ministério “não é feudo de ninguém” e defendeu que os titulares das pastas trabalhem com os demais. Até por isso, dividiu o governo em quatro áreas prioritárias em que os ministérios se interligam: “erradicação da miséria”, “direitos da cidadania”, “desenvolvimento econômico” e “infraestrutura”. O Ministério da Saúde, por exemplo, está em três dos fóruns, só não participa de desenvolvimento econômico. Fazenda não está em direitos da cidadania, mas pode ser convocado a comparecer.
A fase atual é de organização. Dilma espera dos ministros o retorno da tarefa que lhes deu nos primeiros dias de governo, de levantar em suas pastas os programas que estão funcionando bem e os que não estão. E que ninguém volte para a presidenta com as informações pedidas iniciando a fala com a frase “eu acho que”, que Dilma abomina. “Se o cara chega para a presidenta e diz ‘eu acho que’ já era, vai tomar uma chamada inesquecível, do tipo: ‘Você não tem de achar nada, tem de saber’”, confidencia um palaciano.
Com fama de “acelerada”, Dilma tem se mostrado mais exigente do que Lula com os horários. Começa o expediente no Palácio do Planalto por volta das 9h30, após caminhar na esteira ou ao ar livre na Granja do Torto, onde ainda reside – só vai se mudar para o Alvorada em fevereiro. Reúne-se toda manhã com o chefe de gabinete, Gilles Carriconde Azevedo, e a ministra Helena Chagas, da Comunicação, que lhes expõem os principais assuntos do dia. A presidenta lê as notícias pelo clipping preparado diariamente. Por enquanto, almoça no próprio palácio, mas a tendência é de que isso mude após a ida para o Alvorada, que é mais perto do Planalto do que o Torto. Vai embora por volta das 21h30.
Dilma Rousseff realmente pretende falar menos do que Lula, tanto em entrevistas quanto em discursos e aparições públicas. Estratégia de marketing ou cansaço depois da superexposição vivida na campanha? Nada disso, garante um assessor da presidenta. “É da natureza dela ser mais discreta. Até na época do combate à ditadura Dilma era uma pessoa dos bastidores, do planejamento. Nunca foi para a linha de frente.” De todo modo, é onde agora está, e a discrição no cargo que serve para elogios pode servir para críticas amanhã. Os momentos de acerto no governo poderão ser justificativa para reparos ao figurino, e vice-versa. Ossos do ofício: mulher sempre fez mesmo jornada dupla.
Cynara Menezes
Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Dilma deve liberar mínimo de R$ 550 com corte em 2012, diz jornal
Da Redação
brasil@eband.com.br
A presidente Dilma Rousseff orientou sua equipe a negociar com o Congresso um valor do salário mínimo que não ultrapasse R$ 550, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal “Folha de S. Paulo”. Caso contrário, a presidente ameaça fazer cortes elevados no Orçamento.
Em 14 de janeiro, o governo anunciou um salário mínimo de R$ 545, mas as centrais querem R$ 580. Segundo o jornal, Dilma aceita um pequeno aumento sob a condição de que o reajuste acima seja descontado do que será concedido em 2012.
A presidente tem reunião na tarde desta quarta-feira com as centrais sindicais no Palácio do Planalto. Uma das propostas para conter a pressão dos sindicalistas é o aumento em 6,46% na tabela do Imposto de Renda.
Em relação ao reajuste de 10% para os aposentados que ganham acima do mínimo, a presidente já teria decidido não fazer concessões e reajustar esses benefícios com base na inflação de 2010 (6,46%).
brasil@eband.com.br
A presidente Dilma Rousseff orientou sua equipe a negociar com o Congresso um valor do salário mínimo que não ultrapasse R$ 550, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal “Folha de S. Paulo”. Caso contrário, a presidente ameaça fazer cortes elevados no Orçamento.
Em 14 de janeiro, o governo anunciou um salário mínimo de R$ 545, mas as centrais querem R$ 580. Segundo o jornal, Dilma aceita um pequeno aumento sob a condição de que o reajuste acima seja descontado do que será concedido em 2012.
A presidente tem reunião na tarde desta quarta-feira com as centrais sindicais no Palácio do Planalto. Uma das propostas para conter a pressão dos sindicalistas é o aumento em 6,46% na tabela do Imposto de Renda.
Em relação ao reajuste de 10% para os aposentados que ganham acima do mínimo, a presidente já teria decidido não fazer concessões e reajustar esses benefícios com base na inflação de 2010 (6,46%).
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Dilma entrega medalha a Alencar em SP
Simone Sartori
Direto de São Paulo
Em sua primeira aparição pública ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não deu declarações, a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), fez um breve discurso nesta terça-feira focado na homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar, que compareceu ao evento em São Paulo para receber das mãos da petista a Medalha 25 de Janeiro, uma comenda concedida pela prefeitura. O ex-vice deixou o hospital Sírio-Libanês, onde está internado desde o dia 22 de dezembro, após liberação dos médicos, apenas para receber a homenagem, que durou trinta minutos.
"Hoje, ele (Alencar) é o fato, a figura mais importante. E é muito histórico que seja em São Paulo, uma cidade que é a síntese do espírito empreendedor do País. Devemos reconhecer a trajetória desse homem", afirmou a presidente, lembrando a trajetória de Alencar como empresário bem-sucedido.
A presidente citou ainda a convivência e a "parceria" com José Alencar, a quem chamou de "brasileiro de todos os Estados", durante o governo do ex-presidente Lula, que também foi lembrado pelo menos duas vezes em seu discurso. "Convivi com sua generosidade, com sua verve e espírito crítico, que nos ajudou a construir esse País. Fico feliz que seja aqui (São Paulo) a entrega dessa medalha, um dos Estados mais desenvolvidos e também com tantos desafios", disse.
.
Sem esquecer que participava do evento na base política de dois adversários, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a presidente encerrou o discurso de 11 minutos reafirmando o compromisso do governo federal para com o Estado e cidade paulistas. "Estamos prontos para continuar a parceria entre governo federal e estadual, e também continuar o processo de investimentos com São Paulo".
De terno escuro e gravata com as cores da bandeira do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu durante toda a homenagem ao lado de José Alencar, que chegou ao local em uma cadeira de rodas. Lula entrou no auditório e saiu sem dar declarações à imprensa.
Participaram do evento o vice-presidente Michel Temer, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer, além dos ministros Fernando Pimentel e Helena Chagas. A senadora Marta Suplicy (PT), o prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Luiz Marinho (PT), e a mulher de José Alencar, Mariza Gomes da Silva, também compareceram à cerimônia
Direto de São Paulo
Em sua primeira aparição pública ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não deu declarações, a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), fez um breve discurso nesta terça-feira focado na homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar, que compareceu ao evento em São Paulo para receber das mãos da petista a Medalha 25 de Janeiro, uma comenda concedida pela prefeitura. O ex-vice deixou o hospital Sírio-Libanês, onde está internado desde o dia 22 de dezembro, após liberação dos médicos, apenas para receber a homenagem, que durou trinta minutos.
"Hoje, ele (Alencar) é o fato, a figura mais importante. E é muito histórico que seja em São Paulo, uma cidade que é a síntese do espírito empreendedor do País. Devemos reconhecer a trajetória desse homem", afirmou a presidente, lembrando a trajetória de Alencar como empresário bem-sucedido.
A presidente citou ainda a convivência e a "parceria" com José Alencar, a quem chamou de "brasileiro de todos os Estados", durante o governo do ex-presidente Lula, que também foi lembrado pelo menos duas vezes em seu discurso. "Convivi com sua generosidade, com sua verve e espírito crítico, que nos ajudou a construir esse País. Fico feliz que seja aqui (São Paulo) a entrega dessa medalha, um dos Estados mais desenvolvidos e também com tantos desafios", disse.
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Sem esquecer que participava do evento na base política de dois adversários, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a presidente encerrou o discurso de 11 minutos reafirmando o compromisso do governo federal para com o Estado e cidade paulistas. "Estamos prontos para continuar a parceria entre governo federal e estadual, e também continuar o processo de investimentos com São Paulo".
De terno escuro e gravata com as cores da bandeira do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu durante toda a homenagem ao lado de José Alencar, que chegou ao local em uma cadeira de rodas. Lula entrou no auditório e saiu sem dar declarações à imprensa.
Participaram do evento o vice-presidente Michel Temer, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer, além dos ministros Fernando Pimentel e Helena Chagas. A senadora Marta Suplicy (PT), o prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Luiz Marinho (PT), e a mulher de José Alencar, Mariza Gomes da Silva, também compareceram à cerimônia
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Dilma Roussef recebe Marta em Brasília
Dilma Roussef recebeu Marta no Palácio do Planalto nesta segunda-feira. Eleita maior jogador do mundo pela quinta vez consecutiva pela Fifa, a jogadora levou uma camisa do Santos para a presidente. O convite partiu de Dilma, depois de um encontro do presidente santista, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, com o Ministro do Esporte, Orlando Silva, na semana passada.
Romero Britto homenageia Dilma em revista dos EUA
O artista plástico brasileiro Romero Britto publicou na edição desta semana da The New York Times Magazine - revista semanal do famoso jornal norte-americano The New York Times - uma pintura com a imagem da presidente Dilma Rousseff.
No retrato, feito ao estilo de outras pinturas do artista, Dilma aparece com o rosto pintado e com seu tradicional terninho vermelho. A publicação, de página inteira da revista, também contém imagens do artista ao lado da presidente durante a inauguração de um hospital em São João do Meriti, no Rio de Janeiro, em março passado. Na época, Dilma ainda era apenas pré-candidata ao cargo que ocupa hoje.
No retrato, feito ao estilo de outras pinturas do artista, Dilma aparece com o rosto pintado e com seu tradicional terninho vermelho. A publicação, de página inteira da revista, também contém imagens do artista ao lado da presidente durante a inauguração de um hospital em São João do Meriti, no Rio de Janeiro, em março passado. Na época, Dilma ainda era apenas pré-candidata ao cargo que ocupa hoje.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Caixa vai retomar imóveis do Minha Casa, Minha Vida revendidos ilegalmente em Feira
A Caixa Econômica Federal (CEF) informou que vai retomar os apartamentos dos moradores do Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana, que revenderam ilegalmente os imóveis para terceiros.
A CEF adotou essa posição depois que a imprensa noticiou irregularidades nos imóveis do condomínio, o primeiro empreendimento do Minha Casa, Minha Vida destinado a famílias com renda de até R$ 1.395 a entregar as chaves no país.
Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal O Estado de São Paulo, o residencial está passando por problemas como comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento.
A matéria aponta que grande parte dos moradores do residencial Nova Conceição recebe apenas o Bolsa Família e estaria deixando o local por não poder pagar a prestação de R$ 50 e acúmulo de dívida. Muitas delas haviam ficado desalojadas após uma enchente que afetou o bairro de Feira X.
Prefeitura Procurada pelo CORREIO, a prefeitura de Feira de Santana emitiu nota informando ser responsável apenas pela seleção prévia dos interessados em participar do Minha Casa, Minha Vida, cabendo à Caixa Econômica Federal (CEF) fiscalizar e manter os imóveis de posse dos mutuários.
A prefeitura não informou, contudo, se havia pessoas com renda abaixo do valor mínimo. “O contrato assinado entre a Caixa e o mutuário do programa Minha Casa, Minha Vida não autoriza o aluguel e nem mesmo a cessão do imóvel pelo proprietário. O programa é destinado, exclusivamente, à residência do adquirente”, diz a prefeitura.
Pelo Cadastro de Mutuários (CadMult), cada pessoa pode ter acesso a um único imóvel oferecido através de programas de incentivo habitacional. “O mutuário que vender o imóvel nessas condições de financiamento subsidiado, além de estar impedido de uma nova aquisição dentro de qualquer programa, também está realizando uma operação irregular, da mesma forma que o novo comprador”, declara a prefeitura, destacando que, uma vez que teve acesso ao benefício, o mutuário fica cadastrado no CadMult, com todas as suas informações armazenadas.
CEF anuncia medidas para solucionar problemas
Para resolver os problemas encontrados no Residencial Nova Conceição, os ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, Cidades e Caixa Econômica Federal (CEF) vão rever o instrumento de adesão aos programas, obrigando as prefeituras a assumir compromissos de trabalho social, equipamentos e serviços públicos.
Outra medida será “aumentar os recursos para pagamento do trabalho social para que as prefeituras iniciem o acompanhamento social antes da implementação do empreendimento e na etapa de pós-ocupação”, diz a nota. Também será implementado pelo Ministério das Cidades o sistema de monitoramento e avaliação.
Já os moradores do Nova Conceição com dificuldade de arcar com os pagamentos estão sendo informados sobre as possibilidades de renegociação de seus débitos.
A CEF adotou essa posição depois que a imprensa noticiou irregularidades nos imóveis do condomínio, o primeiro empreendimento do Minha Casa, Minha Vida destinado a famílias com renda de até R$ 1.395 a entregar as chaves no país.
Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal O Estado de São Paulo, o residencial está passando por problemas como comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento.
A matéria aponta que grande parte dos moradores do residencial Nova Conceição recebe apenas o Bolsa Família e estaria deixando o local por não poder pagar a prestação de R$ 50 e acúmulo de dívida. Muitas delas haviam ficado desalojadas após uma enchente que afetou o bairro de Feira X.
Prefeitura Procurada pelo CORREIO, a prefeitura de Feira de Santana emitiu nota informando ser responsável apenas pela seleção prévia dos interessados em participar do Minha Casa, Minha Vida, cabendo à Caixa Econômica Federal (CEF) fiscalizar e manter os imóveis de posse dos mutuários.
A prefeitura não informou, contudo, se havia pessoas com renda abaixo do valor mínimo. “O contrato assinado entre a Caixa e o mutuário do programa Minha Casa, Minha Vida não autoriza o aluguel e nem mesmo a cessão do imóvel pelo proprietário. O programa é destinado, exclusivamente, à residência do adquirente”, diz a prefeitura.
Pelo Cadastro de Mutuários (CadMult), cada pessoa pode ter acesso a um único imóvel oferecido através de programas de incentivo habitacional. “O mutuário que vender o imóvel nessas condições de financiamento subsidiado, além de estar impedido de uma nova aquisição dentro de qualquer programa, também está realizando uma operação irregular, da mesma forma que o novo comprador”, declara a prefeitura, destacando que, uma vez que teve acesso ao benefício, o mutuário fica cadastrado no CadMult, com todas as suas informações armazenadas.
CEF anuncia medidas para solucionar problemas
Para resolver os problemas encontrados no Residencial Nova Conceição, os ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, Cidades e Caixa Econômica Federal (CEF) vão rever o instrumento de adesão aos programas, obrigando as prefeituras a assumir compromissos de trabalho social, equipamentos e serviços públicos.
Outra medida será “aumentar os recursos para pagamento do trabalho social para que as prefeituras iniciem o acompanhamento social antes da implementação do empreendimento e na etapa de pós-ocupação”, diz a nota. Também será implementado pelo Ministério das Cidades o sistema de monitoramento e avaliação.
Já os moradores do Nova Conceição com dificuldade de arcar com os pagamentos estão sendo informados sobre as possibilidades de renegociação de seus débitos.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
BNDES vai liberar R$ 400 milhões para financiar empresas da região serrana
A presidente Dilma Rousseff assinou nesta sexta-feira (21) uma medida provisória que autoriza subvenção de R$ 400 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para operações de financiamento a cidades do Rio de Janeiro. A medida vale para ações destinadas a capital de giro e investimento de empresas e microempreendedores individuais.
De acordo com nota divulgada pelo BNDES, a MP valerá para operações contratadas até 31 de dezembro deste ano, beneficiando os municípios atingidos pelas fortes chuvas e deslizamentos das últimas semanas no Rio. Terão direito aqueles que tiverem decretado estado de emergência ou calamidade pública.
O Conselho Monetário Nacional fica responsável por estabelecer as condições necessárias à contratação dos financiamentos e o Ministério da Fazenda pela regulamentação das demais condições para a concessão do benefício.
De acordo com nota divulgada pelo BNDES, a MP valerá para operações contratadas até 31 de dezembro deste ano, beneficiando os municípios atingidos pelas fortes chuvas e deslizamentos das últimas semanas no Rio. Terão direito aqueles que tiverem decretado estado de emergência ou calamidade pública.
O Conselho Monetário Nacional fica responsável por estabelecer as condições necessárias à contratação dos financiamentos e o Ministério da Fazenda pela regulamentação das demais condições para a concessão do benefício.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Dilma deixa compra de caças da FAB para 2012
Por conta da situação fiscal preocupante e de dúvidas sobre a melhor opção, a presidente Dilma Rousseff definiu que a compra dos novos caças da FAB pode até ser decidida no fim deste ano, mas qualquer gasto só será feito a partir de 2012.
Com um corte em estudo que deve superar os R$ 40 bilhões no Orçamento e o trauma gerado pela tragédia no Rio, seria politicamente difícil para o governo decidir por um negócio tão caro neste momento em que o discurso é de austeridade.
A compra dos 36 aviões de combate não sairá por menos de R$ 10 bilhões. Será financiado, mas requer uma parcela imediata. Dilma também já havia decidido colher mais informações. O antecessor, Lula, havia concentrado o processo nas mãos do ministro Nelson Jobim (Defesa).
Além de ter feito questão de uma conversa a sós com o comandante Juniti Saito (Aeronáutica), ela também entregou documentos ao ministro do Desenvolvimento, seu amigo Fernando Pimentel.
Dilma quer ouvir setores fora do governo, principalmente a Embraer, e criar um grupo interministerial que examine a questão, reanalisando os argumentos da FAB (pró-Gripen sueco) e da Defesa (pró-Rafale francês).
Com um corte em estudo que deve superar os R$ 40 bilhões no Orçamento e o trauma gerado pela tragédia no Rio, seria politicamente difícil para o governo decidir por um negócio tão caro neste momento em que o discurso é de austeridade.
A compra dos 36 aviões de combate não sairá por menos de R$ 10 bilhões. Será financiado, mas requer uma parcela imediata. Dilma também já havia decidido colher mais informações. O antecessor, Lula, havia concentrado o processo nas mãos do ministro Nelson Jobim (Defesa).
Além de ter feito questão de uma conversa a sós com o comandante Juniti Saito (Aeronáutica), ela também entregou documentos ao ministro do Desenvolvimento, seu amigo Fernando Pimentel.
Dilma quer ouvir setores fora do governo, principalmente a Embraer, e criar um grupo interministerial que examine a questão, reanalisando os argumentos da FAB (pró-Gripen sueco) e da Defesa (pró-Rafale francês).
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Banco Mundial deve liberar US$ 485 mihões para prevenção de desastres no RJ
WASHINGTON — O Banco Mundial (Bird) vai liberar um empréstimo de 485 milhões de dólares para apoiar um programa de construção e prevenção de desastres no estado do Rio de Janeiro, afetado por chuvas devastadoras na última semana, anunciou a instituição na noite de terça-feira.
"Esperamos que a primeira parcela do empréstimo, no valor de 290 milhões de dólares, seja aprovada nas próximas semanas", afirmou o diretor do Bird para o Brasil, Makhtar Diop.
A ajuda foi anunciada ao fim de uma reunião em Brasília do vice-presidente do Banco Mundial para a Redução da Pobreza, Otaviano Canuto, com a presidente Dilma Rousseff, representantes do governo do Rio de Janeiro e do governo federal.
Uma primeira ajuda de 20 milhões de dólares, que originalmente estava destinada a um programa rural no Rio, foi deslocada em regime de urgência para obras de emergência.
Outro programa de assistência técnica, de 30 milhões de dólares, está sendo preparado para melhorar a capacidade institucional dos estados para enfrentar este tipo de desastre.
O Bird prepara uma nova estratégia de empréstimos para o Brasil que deve ser aprovada em julho, e que terá como um dos eixos principais a prevenção de desastres naturais.
De acordo com o boletim mais recente da Defensa Civil do Rio de Janeiro, o número de mortos na tragédia da região serrana do estado passou de 700.
"Esperamos que a primeira parcela do empréstimo, no valor de 290 milhões de dólares, seja aprovada nas próximas semanas", afirmou o diretor do Bird para o Brasil, Makhtar Diop.
A ajuda foi anunciada ao fim de uma reunião em Brasília do vice-presidente do Banco Mundial para a Redução da Pobreza, Otaviano Canuto, com a presidente Dilma Rousseff, representantes do governo do Rio de Janeiro e do governo federal.
Uma primeira ajuda de 20 milhões de dólares, que originalmente estava destinada a um programa rural no Rio, foi deslocada em regime de urgência para obras de emergência.
Outro programa de assistência técnica, de 30 milhões de dólares, está sendo preparado para melhorar a capacidade institucional dos estados para enfrentar este tipo de desastre.
O Bird prepara uma nova estratégia de empréstimos para o Brasil que deve ser aprovada em julho, e que terá como um dos eixos principais a prevenção de desastres naturais.
De acordo com o boletim mais recente da Defensa Civil do Rio de Janeiro, o número de mortos na tragédia da região serrana do estado passou de 700.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Dilma reavalia negociação sobre caças e provoca reação da França
A presidenta Dilma Rousseff decidiu fazer uma reavaliação das negociações para a compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) e provocou reações no governo francês. Embora tenha herdado de Lula as negociações em estágio avançado, Dilma pediu nos últimos dias ao Ministério da Defesa relatórios detalhados sobre todas as propostas colocadas na mesa. Avisou ao ministro Nelson Jobim que quer estudar cuidadosamente o assunto antes de tomar uma decisão final.
Diante da notícia, a ministra da Economia, Christine Lagarde, disse esperar que as conversas iniciadas entre a França e o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sejam descartadas na nova análise.
"Um enorme trabalho havia sido efetuado. Eu espero que os frutos desse trabalho sejam levados em consideração pela nova presidenta, embora seja legítimo que ela se inteire sobre o negócio e possa afirmar sua autoridade", disse a ministra francesa, em entrevista concedida à rádio Europe 1 e reproduzida no site do jornal francês Le Monde.
Lula sempre manifestou a preferência pelo caça francês Rafale, produzido pela Dassault, embora duas outras empresas ainda estejam no páreo - a americana Boeing e a sueca Saab. O principal diferencial da proposta francesa está na disposição de transferir tecnologia. Na semana passada, Dilma ouviu do senador americano John McCain a promessa de que se empenhará para que seja incluída esta mesma garantia na proposta americana. O governo brasileiro, entretanto, avalia que qualquer medida nesse sentido enfrentaria resistências no Congresso dos EUA.
Embora interlocutores de Dilma insistam que o objetivo não é recomeçar do zero as negociações, a presidenta estaria interessada inclusive em abrir a concorrência a novas propostas, de acordo com reportagem divulgada nesta terça-feira pelo jornal O Globo.
Christine Lagarde, que participou ativamente das negociações com o Brasil para a venda dos caças, esteve no País em setembro de 2009, junto com o presidente francês Nicolas Sarkozy. Na época, Lula chegou a sinalizar que a decisão do governo brasileiro de fechar a compra dos caças Rafale, produzidos pela francesa Dassault, estava praticamente tomada. O acordo nunca chegou a ser selado, diante da resistência de setores do próprio governo à escolha pelo caça francês.
Na entrevista à Europe 1, a ministra francesa comentou também a versão de que o governo brasileiro estaria interessado em garantias adicionais de transferência tecnológica, um dos principais pontos da negociação com os franceses. A França, segundo ela, "já se comprometeu muito nesse quesito". "As negociações recomeçaram. Agora é cruzar os dedos", concluiu Lagarde.
A Dassault, segundo o jornal francês, também se manifestou sobre a decisão brasileira de rever as propostas. Segundo a companhia, Dilma "tomará todo o tempo necessário para estudar o negócio e seus protagonistas". "Não há nada de extraordinariamente revolucionário", afirmou a companhia. O grupo, entretanto, não respondeu se foi oficialmente informado pelo governo brasileiro sobre a reavaliação do negócio.
Na minha opinião, prefiro que o Brasil se aproxime mais do bloco Europeu do que
da América do Norte.
Diante da notícia, a ministra da Economia, Christine Lagarde, disse esperar que as conversas iniciadas entre a França e o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sejam descartadas na nova análise.
"Um enorme trabalho havia sido efetuado. Eu espero que os frutos desse trabalho sejam levados em consideração pela nova presidenta, embora seja legítimo que ela se inteire sobre o negócio e possa afirmar sua autoridade", disse a ministra francesa, em entrevista concedida à rádio Europe 1 e reproduzida no site do jornal francês Le Monde.
Lula sempre manifestou a preferência pelo caça francês Rafale, produzido pela Dassault, embora duas outras empresas ainda estejam no páreo - a americana Boeing e a sueca Saab. O principal diferencial da proposta francesa está na disposição de transferir tecnologia. Na semana passada, Dilma ouviu do senador americano John McCain a promessa de que se empenhará para que seja incluída esta mesma garantia na proposta americana. O governo brasileiro, entretanto, avalia que qualquer medida nesse sentido enfrentaria resistências no Congresso dos EUA.
Embora interlocutores de Dilma insistam que o objetivo não é recomeçar do zero as negociações, a presidenta estaria interessada inclusive em abrir a concorrência a novas propostas, de acordo com reportagem divulgada nesta terça-feira pelo jornal O Globo.
Christine Lagarde, que participou ativamente das negociações com o Brasil para a venda dos caças, esteve no País em setembro de 2009, junto com o presidente francês Nicolas Sarkozy. Na época, Lula chegou a sinalizar que a decisão do governo brasileiro de fechar a compra dos caças Rafale, produzidos pela francesa Dassault, estava praticamente tomada. O acordo nunca chegou a ser selado, diante da resistência de setores do próprio governo à escolha pelo caça francês.
Na entrevista à Europe 1, a ministra francesa comentou também a versão de que o governo brasileiro estaria interessado em garantias adicionais de transferência tecnológica, um dos principais pontos da negociação com os franceses. A França, segundo ela, "já se comprometeu muito nesse quesito". "As negociações recomeçaram. Agora é cruzar os dedos", concluiu Lagarde.
A Dassault, segundo o jornal francês, também se manifestou sobre a decisão brasileira de rever as propostas. Segundo a companhia, Dilma "tomará todo o tempo necessário para estudar o negócio e seus protagonistas". "Não há nada de extraordinariamente revolucionário", afirmou a companhia. O grupo, entretanto, não respondeu se foi oficialmente informado pelo governo brasileiro sobre a reavaliação do negócio.
Na minha opinião, prefiro que o Brasil se aproxime mais do bloco Europeu do que
da América do Norte.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Brasil não confirma carta sobre anulação de enforcamento de Sakineh
A Presidência da República, o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada do Irã no Brasil não confirmam a chegada ou qualquer informação sobre a correspondência da deputada Zohre Elahian à presidente do Brasil, Dilma Rousseff, sobre a situação da iraniana Sakineh Mohammadi Ahstiani.
Nesta segunda-feira, a PressTV, do Irã, e a agência Reuters informaram que, por meio de uma carta, a deputada, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento do Irã, escreveu que a pena de enforcamento contra Sakineh havia sido removida, diante do perdão dos filhos dela. No entanto, a iraniana teria de enfrentar dez anos de prisão, por outro lado.
O enforcamento foi decidido em 2010, após Sakineh ter voltado a ser acusada de participar da morte de seu marido. No entanto, a pena de apedrejamento – suspensa após uma intensa campanha da comunidade internacional – ainda é válida, pois se refere à acusação de adultério. Enquanto o processo da iraniana estiver em análise, a decisão fica “congelada”.
Dilma mostrou logo após a eleição uma mudança na política do país em relação ao Irã. Ela condenou as abstenções do país no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre as ações iranianas. A presidente ainda disse o país adotava “práticas medievais” em relação às mulheres.
Tais atitudes contrastam com a posição adotada pelo governo Lula em relação país.
Lula ressaltava que o Irã tinha suas próprias leis, no entanto, ele também acabou entrando no caso Sakineh em julho, ao se oferecer para acolher a iraniana. As autoridades do país asiático disseram então que Lula era “emotivo” e estava mal informado.
Nesta segunda-feira, a PressTV, do Irã, e a agência Reuters informaram que, por meio de uma carta, a deputada, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento do Irã, escreveu que a pena de enforcamento contra Sakineh havia sido removida, diante do perdão dos filhos dela. No entanto, a iraniana teria de enfrentar dez anos de prisão, por outro lado.
O enforcamento foi decidido em 2010, após Sakineh ter voltado a ser acusada de participar da morte de seu marido. No entanto, a pena de apedrejamento – suspensa após uma intensa campanha da comunidade internacional – ainda é válida, pois se refere à acusação de adultério. Enquanto o processo da iraniana estiver em análise, a decisão fica “congelada”.
Dilma mostrou logo após a eleição uma mudança na política do país em relação ao Irã. Ela condenou as abstenções do país no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre as ações iranianas. A presidente ainda disse o país adotava “práticas medievais” em relação às mulheres.
Tais atitudes contrastam com a posição adotada pelo governo Lula em relação país.
Lula ressaltava que o Irã tinha suas próprias leis, no entanto, ele também acabou entrando no caso Sakineh em julho, ao se oferecer para acolher a iraniana. As autoridades do país asiático disseram então que Lula era “emotivo” e estava mal informado.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Sarkozy envia mensagem de solidariedade às vítimas das chuvas no Brasil
Segundo o último balanço das autoridades brasileiras, as fortes chuvas e os deslizamentos de terras registados esta semana no Brasil provocaram mais de 600 mortos.
Numa carta enviada na quinta-feira a Dilma Rousseff, Sarkozy apresentou "sinceras condolências" em nome do povo francês "aos familiares e próximos das vítimas" e disse que tomou conhecimento das intempéries com "muita tristeza e comoção
".
O Presidente garantiu "a solidariedade da França nestes momentos dramáticos" que se vivem no Brasil.
Dilma Rousseff decretou no sábado três dias de luto nacional devido à catástrofe que afetou a região montanhosa perto do Rio de Janeiro. As cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo foram particularmente atingidas.
Numa carta enviada na quinta-feira a Dilma Rousseff, Sarkozy apresentou "sinceras condolências" em nome do povo francês "aos familiares e próximos das vítimas" e disse que tomou conhecimento das intempéries com "muita tristeza e comoção
".
O Presidente garantiu "a solidariedade da França nestes momentos dramáticos" que se vivem no Brasil.
Dilma Rousseff decretou no sábado três dias de luto nacional devido à catástrofe que afetou a região montanhosa perto do Rio de Janeiro. As cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo foram particularmente atingidas.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Presidente Dilma determina contenção de despesas para ministérios
A presidente Dilma Rousseff ordenou que a equipe ministerial priorize os cortes em nos orçamentos, começando por gastos de custeio, entretanto afetando também os investimentos para cumprira meta de superavit primário de 3% do PIB.
Na primeira reunião com os ministros na sexta-feira, a presidente reforçou a mensagem de contenção de despesas. Apenas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em andamento continuem, sem iniciar novas.
Dilma se manisfestou insatisfeita com as projeções de corte feitas pela equipe econômica, apontando que espera um bloqueio menor que os R$ 50 bilhões sugeridos. O corte deve passar os R$ 40 bilhões.
Além de dizer que divergências públicas não vão ser aceitas na sua equipe, Dilma disse ainda que "contará até três" quando houver brigas, demostrando sua forma para dirimir conflitos. O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, vai fazer três reuniões com os envolvidos para chegar ao consenso. Caso não haja um acordo, a presidente vai "arbitrar".
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no final da reunião que o valor do salário mínimo, de R$ 545, sairá a partir de fevereiro. Palocci também falou de cortes e da necessidade de unidade dentro do governo, mas depois de decididos os cortes em discussões, não será permitido revisões.
A presidente Dilma Rousseff vai anunciar em março o Plano Nacional de Combate à Miséria, além de ter pedido aos ministros que apresentem projetos até 28 de fevereiro. Até dia 4 de fevereiro, Dilma quer que as pastas proponham cortes e indicou redução imediata nos gastos com passagens, alugueis e compra de imóveis.
Na primeira reunião com os ministros na sexta-feira, a presidente reforçou a mensagem de contenção de despesas. Apenas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em andamento continuem, sem iniciar novas.
Dilma se manisfestou insatisfeita com as projeções de corte feitas pela equipe econômica, apontando que espera um bloqueio menor que os R$ 50 bilhões sugeridos. O corte deve passar os R$ 40 bilhões.
Além de dizer que divergências públicas não vão ser aceitas na sua equipe, Dilma disse ainda que "contará até três" quando houver brigas, demostrando sua forma para dirimir conflitos. O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, vai fazer três reuniões com os envolvidos para chegar ao consenso. Caso não haja um acordo, a presidente vai "arbitrar".
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no final da reunião que o valor do salário mínimo, de R$ 545, sairá a partir de fevereiro. Palocci também falou de cortes e da necessidade de unidade dentro do governo, mas depois de decididos os cortes em discussões, não será permitido revisões.
A presidente Dilma Rousseff vai anunciar em março o Plano Nacional de Combate à Miséria, além de ter pedido aos ministros que apresentem projetos até 28 de fevereiro. Até dia 4 de fevereiro, Dilma quer que as pastas proponham cortes e indicou redução imediata nos gastos com passagens, alugueis e compra de imóveis.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Planalto apresenta foto oficial de Dilma Rousseff
Laryssa Borges
Direto de Brasília
O Palácio do Planalto apresentou nesta sexta-feira a foto oficial da presidente Dilma Rousseff, que será afixada em prédios e salas da administração pública federal. Com um terninho off-white com gola em pesponto bege, a presidente escolheu pessoalmente a foto oficial final.
Com brincos de pérola em base de ouro e brilhantes, o mesmo utilizado na posse, e batom cereja, Dilma foi fotografada pelo fotógrafo oficial da presidência, Roberto Stuckert Filho, na marquise do Palácio da Alvorada, residência oficial para qual a presidente deve se mudar em breve.
Direto de Brasília
O Palácio do Planalto apresentou nesta sexta-feira a foto oficial da presidente Dilma Rousseff, que será afixada em prédios e salas da administração pública federal. Com um terninho off-white com gola em pesponto bege, a presidente escolheu pessoalmente a foto oficial final.
Com brincos de pérola em base de ouro e brilhantes, o mesmo utilizado na posse, e batom cereja, Dilma foi fotografada pelo fotógrafo oficial da presidência, Roberto Stuckert Filho, na marquise do Palácio da Alvorada, residência oficial para qual a presidente deve se mudar em breve.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Moradia em área de risco no Brasil é regra e não é exceção, diz Dilma no Rio
A presidente Dilma Rousseff disse na tarde desta quinta-feira que a construção de moradias em áreas de risco é a regra, não a exceção no Brasil.
"Nossa missão é diminuir os efeitos das chuvas", diz Dilma
"Quando não se tem políticas de habitação, a pessoa que ganha até dois salários mínimos vai morar onde? Vai morar onde não pode", disse Dilma durante entrevista coletiva após visitar as áreas devastadas pelas chuvas na região serrana do Rio.
Questionada sobre a diferença nos investimentos feitos pelo governo federal em 2010 na prevenção e na recuperação dos desastres, a presidente afirmou que é necessário articular políticas. "Geralmente, olham pra questão da Defesa Civil e acham que são problemas pontuais. Mas a prevenção não é uma questão de Defesa Civil apenas, ela é uma questão de saneamento, drenagem e política habitacional."
Para Dilma, o momento vivido pelos moradores é "dramático" e as cenas que presenciou são "muito fortes". A presidente disse ainda que o Estado vive agora o momento de resgate das vítimas, mas alertou que a prevenção contra novas tragédias terá de ser levada em conta pelas autoridades.
"Estamos aqui para garantir que o momento da reconstrução será também o momento da prevenção."
Presidente Dilma Rousseff durante visita às áreas atingidas pelas chuvas na região serrana do Rio
Já o governador Sérgio Cabral (PMDB), que acompanhou Dilma na visita e na entrevista, culpou as prefeituras das cidades da região serrana pelo incentivo à moradia em áreas de risco.
"Lamentavelmente, o que nós tivemos em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, da década de 1980 pra cá, foi um problema muito semelhante com o que ocorreu na cidade do Rio, que é a desgraça do populismo. Deixar a ocupação pelos mais pobres das áreas de risco", disse. Cabral disse que, apesar de haver mortos que estavam em casas de alto padrão, a maioria das vítimas é de "pessoas humildes".
"No meu governo, não acharei que é um problema do governo estadual. Nossa missão também é diminuir os problemas causados pela chuva. Se chover muito vai deslizar, mas não vai morrer gente. Vamos articular todos os programas que podem tratar isso", disse Dilma.
Cabral encerrou a entrevista fazendo um apelo à população que mora em áreas de risco para que deixem suas casas e procurem abrigos públicos ou a casa de parentes. "A previsão do tempo não é tranquilizadora, e novos deslizamentos podem ocorrer", disse.
"Nossa missão é diminuir os efeitos das chuvas", diz Dilma
"Quando não se tem políticas de habitação, a pessoa que ganha até dois salários mínimos vai morar onde? Vai morar onde não pode", disse Dilma durante entrevista coletiva após visitar as áreas devastadas pelas chuvas na região serrana do Rio.
Questionada sobre a diferença nos investimentos feitos pelo governo federal em 2010 na prevenção e na recuperação dos desastres, a presidente afirmou que é necessário articular políticas. "Geralmente, olham pra questão da Defesa Civil e acham que são problemas pontuais. Mas a prevenção não é uma questão de Defesa Civil apenas, ela é uma questão de saneamento, drenagem e política habitacional."
Para Dilma, o momento vivido pelos moradores é "dramático" e as cenas que presenciou são "muito fortes". A presidente disse ainda que o Estado vive agora o momento de resgate das vítimas, mas alertou que a prevenção contra novas tragédias terá de ser levada em conta pelas autoridades.
"Estamos aqui para garantir que o momento da reconstrução será também o momento da prevenção."
Presidente Dilma Rousseff durante visita às áreas atingidas pelas chuvas na região serrana do Rio
Já o governador Sérgio Cabral (PMDB), que acompanhou Dilma na visita e na entrevista, culpou as prefeituras das cidades da região serrana pelo incentivo à moradia em áreas de risco.
"Lamentavelmente, o que nós tivemos em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, da década de 1980 pra cá, foi um problema muito semelhante com o que ocorreu na cidade do Rio, que é a desgraça do populismo. Deixar a ocupação pelos mais pobres das áreas de risco", disse. Cabral disse que, apesar de haver mortos que estavam em casas de alto padrão, a maioria das vítimas é de "pessoas humildes".
"No meu governo, não acharei que é um problema do governo estadual. Nossa missão também é diminuir os problemas causados pela chuva. Se chover muito vai deslizar, mas não vai morrer gente. Vamos articular todos os programas que podem tratar isso", disse Dilma.
Cabral encerrou a entrevista fazendo um apelo à população que mora em áreas de risco para que deixem suas casas e procurem abrigos públicos ou a casa de parentes. "A previsão do tempo não é tranquilizadora, e novos deslizamentos podem ocorrer", disse.
Novo mínimo já opõe Dilma e sindicalistas
Na segunda semana do governo Dilma, parte do movimento sindical já começa a sentir a diferença entre ter um “companheiro” sentado na cadeira presidencial, ou ter no comando uma gerente do tipo durona, não muito disposta a longas conversas e tapinhas nas costas. O primeiro a reagir à mudança de estilo foi Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, que deixou o Planalto nesta quarta-feira (12) se queixando de que a presidente está numa “redoma” e de que este governo é “esquisito”.
O sindicalista foi recebido pelo ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. E não gostou da conversa. Horas depois, Paulinho baixou na reunião do PDT na Câmara pregando salário mínimo de R$ 580 e prevendo a derrota do governo no plenário. O partido é o segundo aliado importante do governo, depois do PMDB, a anunciar problemas na votação da medida provisória que prevê um reajuste de apenas R$ 540 para o mínimo.
As centrais sindicais cobram uma audiência com Dilma para insistir num aumento maior. A julgar pelo primeiro contato, a conversa com a nova presidente começou mal. Paulinho saiu do encontro com Luiz Sérgio fazendo declarações em tom de ultimato, dando prazo até segunda-feira (17) para a abertura das negociações, a ameaçando com ações contra o governo alegando “confisco” pela falta de correção da tabela do Imposto de Renda.
O deputado também descartou a hipótese de as centrais passarem a negociar diretamente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicando que o canal tem de ser o Planalto. Outro sinal de insatisfação: o PDT deixou em aberto a definição sobre o apoio político à candidatura do petista Marco Maia à presidência da Câmara. E não marcou data para decidir.
O sindicalista foi recebido pelo ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. E não gostou da conversa. Horas depois, Paulinho baixou na reunião do PDT na Câmara pregando salário mínimo de R$ 580 e prevendo a derrota do governo no plenário. O partido é o segundo aliado importante do governo, depois do PMDB, a anunciar problemas na votação da medida provisória que prevê um reajuste de apenas R$ 540 para o mínimo.
As centrais sindicais cobram uma audiência com Dilma para insistir num aumento maior. A julgar pelo primeiro contato, a conversa com a nova presidente começou mal. Paulinho saiu do encontro com Luiz Sérgio fazendo declarações em tom de ultimato, dando prazo até segunda-feira (17) para a abertura das negociações, a ameaçando com ações contra o governo alegando “confisco” pela falta de correção da tabela do Imposto de Renda.
O deputado também descartou a hipótese de as centrais passarem a negociar diretamente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicando que o canal tem de ser o Planalto. Outro sinal de insatisfação: o PDT deixou em aberto a definição sobre o apoio político à candidatura do petista Marco Maia à presidência da Câmara. E não marcou data para decidir.
Dilma cria conselho de gestão para cobrar desempenho de ministérios
João Bosco Rabello - O Estado de S.Paulo
Na primeira reunião ministerial de seu governo, marcada para amanhã, a presidente Dilma Rousseff comunicará sua decisão de impor um forte ajuste nos gastos públicos, especialmente com custeio, que será monitorado de forma rigorosa pelo governo.
Dida Sampaio/AE-5/1/2011Metas. Dilma, com ministros: superávit de 3% do PIB e crescimento de 5%, ajudado pela demanda de alimentos e commodities
Ela reforçará a advertência de que as indicações políticas serão respeitadas, mas que os titulares das pastas terão de se comprometer com resultados que serão cobrados, conforme antecipou reportagem do Estado publicada no domingo. Para as agências reguladoras, nenhuma concessão: as indicações têm de ser necessariamente técnicas e passar pelo seu crivo pessoal.
Na cabeça da presidente está um conceito de governança empresarial, nos moldes do setor privado, que produza um mapa da eficiência de cada área do governo - do primeiro aos demais escalões. O instrumento desse controle será um novo conselho - de Gestão e Competitividade -, ligado diretamente à Presidência da República.
Controle. Esse formato obrigará cada ministro a fixar metas de redução de custos e de realizações, apresentando-as nas reuniões ministeriais periódicas, confrontando-as com os resultados dos demais colegas e justificando no plenário os critérios empregados. Informará o que cortou, onde cortou e quanto cortou. E o quanto realizou no contexto dos cortes.
Não se conhece ainda, no governo, a composição desse novo conselho, mas há uma certeza: dele fará parte o empresário Jorge Gerdau, do grupo que leva seu nome, interlocutor com prestígio junto à presidente e inspirador de sua criação.
A administração dos recursos não se limitará aos cortes no custeio da máquina pública, mas também a uma revisão que traga seletividade aos gastos. "Fazer mais com menos, melhorando a qualidade dos gastos", resumiu uma fonte palaciana.
Investimentos. Dilma não utiliza em nenhum momento a expressão ajuste fiscal, mas deixará claro que vai manter o nível de investimentos que se viabilizará com a redução de custos do governo. Dirá que, no Brasil de hoje, crescimento não gera crise nem inflação.
Ela considera que o País viveu em 2010 um crescimento maior que no período Ernesto Geisel. E acha que ele pode crescer puxado por uma taxa de investimentos acima de 20%. Estima um superávit primário correspondente neste momento a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e crescimento médio de 5% ajudado também pela demanda crescente de alimentos e commodities.
Dilma tem tratado com reservas o tema cambial, mas já confidenciou a interlocutores próximos considerar que o Brasil paga o ajuste da crise de forma indevida, pois fez o chamado dever de casa: câmbio flutuante, superávit maior que a maioria dos países, déficit nominal pequeno e ainda enfrenta protecionismos e a prática de dumping.
E que há uma tolerância com medidas de controle cambial que estão sendo adotadas em outros países. "Parece que querem controles cambiais para todos, menos pro Brasil."
Adequação. Ela tem dado sinais de que exercerá um programa monitorado para não deixar vulnerável o País. Tem chamado de linha "macroprudencial" esse processo de adequação permanente à crise internacional, como faz a China.
Mas no governo ninguém descarta a hipótese de novas medidas cambiais para conter a valorização excessiva do real. Segundo assessores, Dilma cita com frequência o episódio protagonizado pelo primeiro-ministro inglês Winston Churchill (1874-1965), que após negar alterações no câmbio e ser desmentido horas depois pelos fatos, deu de ombros: "Isso é o câmbio."
A dificuldade de conciliar todos esses objetivos com ministérios historicamente guiados pelos interesses da política partidária é um dilema que frequenta as preocupações da presidente.
Para estabelecer um limite aos ministros, costuma filosofar: "Não quero a virtude dos homens, mas a das instituições". Segundo ela, a máquina pública tem de ser transparente e comprometida com a ética e a prática republicanas.
Na primeira reunião ministerial de seu governo, marcada para amanhã, a presidente Dilma Rousseff comunicará sua decisão de impor um forte ajuste nos gastos públicos, especialmente com custeio, que será monitorado de forma rigorosa pelo governo.
Dida Sampaio/AE-5/1/2011Metas. Dilma, com ministros: superávit de 3% do PIB e crescimento de 5%, ajudado pela demanda de alimentos e commodities
Ela reforçará a advertência de que as indicações políticas serão respeitadas, mas que os titulares das pastas terão de se comprometer com resultados que serão cobrados, conforme antecipou reportagem do Estado publicada no domingo. Para as agências reguladoras, nenhuma concessão: as indicações têm de ser necessariamente técnicas e passar pelo seu crivo pessoal.
Na cabeça da presidente está um conceito de governança empresarial, nos moldes do setor privado, que produza um mapa da eficiência de cada área do governo - do primeiro aos demais escalões. O instrumento desse controle será um novo conselho - de Gestão e Competitividade -, ligado diretamente à Presidência da República.
Controle. Esse formato obrigará cada ministro a fixar metas de redução de custos e de realizações, apresentando-as nas reuniões ministeriais periódicas, confrontando-as com os resultados dos demais colegas e justificando no plenário os critérios empregados. Informará o que cortou, onde cortou e quanto cortou. E o quanto realizou no contexto dos cortes.
Não se conhece ainda, no governo, a composição desse novo conselho, mas há uma certeza: dele fará parte o empresário Jorge Gerdau, do grupo que leva seu nome, interlocutor com prestígio junto à presidente e inspirador de sua criação.
A administração dos recursos não se limitará aos cortes no custeio da máquina pública, mas também a uma revisão que traga seletividade aos gastos. "Fazer mais com menos, melhorando a qualidade dos gastos", resumiu uma fonte palaciana.
Investimentos. Dilma não utiliza em nenhum momento a expressão ajuste fiscal, mas deixará claro que vai manter o nível de investimentos que se viabilizará com a redução de custos do governo. Dirá que, no Brasil de hoje, crescimento não gera crise nem inflação.
Ela considera que o País viveu em 2010 um crescimento maior que no período Ernesto Geisel. E acha que ele pode crescer puxado por uma taxa de investimentos acima de 20%. Estima um superávit primário correspondente neste momento a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e crescimento médio de 5% ajudado também pela demanda crescente de alimentos e commodities.
Dilma tem tratado com reservas o tema cambial, mas já confidenciou a interlocutores próximos considerar que o Brasil paga o ajuste da crise de forma indevida, pois fez o chamado dever de casa: câmbio flutuante, superávit maior que a maioria dos países, déficit nominal pequeno e ainda enfrenta protecionismos e a prática de dumping.
E que há uma tolerância com medidas de controle cambial que estão sendo adotadas em outros países. "Parece que querem controles cambiais para todos, menos pro Brasil."
Adequação. Ela tem dado sinais de que exercerá um programa monitorado para não deixar vulnerável o País. Tem chamado de linha "macroprudencial" esse processo de adequação permanente à crise internacional, como faz a China.
Mas no governo ninguém descarta a hipótese de novas medidas cambiais para conter a valorização excessiva do real. Segundo assessores, Dilma cita com frequência o episódio protagonizado pelo primeiro-ministro inglês Winston Churchill (1874-1965), que após negar alterações no câmbio e ser desmentido horas depois pelos fatos, deu de ombros: "Isso é o câmbio."
A dificuldade de conciliar todos esses objetivos com ministérios historicamente guiados pelos interesses da política partidária é um dilema que frequenta as preocupações da presidente.
Para estabelecer um limite aos ministros, costuma filosofar: "Não quero a virtude dos homens, mas a das instituições". Segundo ela, a máquina pública tem de ser transparente e comprometida com a ética e a prática republicanas.
13 (discretos) dias de Dilma
por sérgio malbergier
Olhando daqui de Trancoso, o início do governo Dilma traz um grande alívio: governo quem?
A discrição inicial da nova presidente (como é bom usar este feminino pela primeira vez na história do país) não podia contrastar mais positivamente com a necessidade de adulação e reconhecimento de seu antecessor e mentor.
Em meio a tanto continuísmo, o perfil discreto até aqui da presidente é até aqui a maior qualidade de seu governo infante.
O lulismo eleitoreiramente mitômano queria (quer) acorrentar o país todo às barbas de Lula, pai dos pobres, mãe dos ricos, dono da maior aprovação da história, sua trajetória, o verdadeiro milagre brasileiro.
Lula, de fato, é (foi) um milagre. Sua soberba e auto-adulação foram um preço pequeno a pagar pelo consenso seminal que ele estabeleceu ao abraçar a economia de mercado e anular o lado B (de burra) da esquerda brasileira. No processo, colocou os pobres no centro da ação pública do país. E desabrochamos com essa jabuticaba: o sucesso do capitalismo turbinando partidos de discurso anticapitalista.
Vai entender esse país.
Daqui do sul da Bahia, vendo a miséria persistente num cenário luxuriante, salários mínimos servindo salários máximos, é fácil sentir o quanto andamos e o quanto temos de andar.
O verão brasileiro é propício ao ócio, mas eu tenho de voltar amanhã a São Paulo. A tristeza de deixar a praia, o mangue e o Quadrado neste verão opulento só se dissipa porque no cenário paulistano, cosmopolita, dinâmico, nervoso epicentro do boom de vida no Brasil de hoje, não há quem não tenha planos e oportunidades para engajar-se e engajar-lhe.
Que o governo Dilma nos ajude e não nos atrapalhe. Ela começa bem menos interessada do que Lula em nossos corações e mentes e mais interessada em planilhas e resultados.
Ufa!
O Brasil não é um país normal. Assim como os Estados Unidos, temos direito a reivindicar excepcionalidade. Mais do que isso, temos o dever de desenvolvê-la.
O Brasil não é um país normal, mas normalidades (e banalidades) têm enorme utilidade por aqui. Nosso milagre econômico, tão parecido com os de outros emergentes, deve tudo à normalidade (e a banalidade) econômica consolidada nesses 16 anos da dualidade FHC-Lula.
O fim da era Lula foi o fim do recomeço, da retomada. Dilma inaugura, se tudo der certo, um Brasil maior que qualquer governo ou liderança, cujos méritos (e deméritos) serão antes de tudo dos brasileiros.
O bom-sensismo discreto de Dilma e Palocci pode ser o moderador ideal para o novo Brasil. O esfriamento das relações com o regime iraniano já é um alvissareiro começo.
Todo mundo já sabe o que falta fazer no país, o que se pode fazer e o que não se deve fazer. A nova velha tragédia das chuvas no Rio que o diga.
Mais do que nunca, precisamos de bom senso.
Dilma pode ser a cara. Palocci, a barba.
Sucesso para eles.
Olhando daqui de Trancoso, o início do governo Dilma traz um grande alívio: governo quem?
A discrição inicial da nova presidente (como é bom usar este feminino pela primeira vez na história do país) não podia contrastar mais positivamente com a necessidade de adulação e reconhecimento de seu antecessor e mentor.
Em meio a tanto continuísmo, o perfil discreto até aqui da presidente é até aqui a maior qualidade de seu governo infante.
O lulismo eleitoreiramente mitômano queria (quer) acorrentar o país todo às barbas de Lula, pai dos pobres, mãe dos ricos, dono da maior aprovação da história, sua trajetória, o verdadeiro milagre brasileiro.
Lula, de fato, é (foi) um milagre. Sua soberba e auto-adulação foram um preço pequeno a pagar pelo consenso seminal que ele estabeleceu ao abraçar a economia de mercado e anular o lado B (de burra) da esquerda brasileira. No processo, colocou os pobres no centro da ação pública do país. E desabrochamos com essa jabuticaba: o sucesso do capitalismo turbinando partidos de discurso anticapitalista.
Vai entender esse país.
Daqui do sul da Bahia, vendo a miséria persistente num cenário luxuriante, salários mínimos servindo salários máximos, é fácil sentir o quanto andamos e o quanto temos de andar.
O verão brasileiro é propício ao ócio, mas eu tenho de voltar amanhã a São Paulo. A tristeza de deixar a praia, o mangue e o Quadrado neste verão opulento só se dissipa porque no cenário paulistano, cosmopolita, dinâmico, nervoso epicentro do boom de vida no Brasil de hoje, não há quem não tenha planos e oportunidades para engajar-se e engajar-lhe.
Que o governo Dilma nos ajude e não nos atrapalhe. Ela começa bem menos interessada do que Lula em nossos corações e mentes e mais interessada em planilhas e resultados.
Ufa!
O Brasil não é um país normal. Assim como os Estados Unidos, temos direito a reivindicar excepcionalidade. Mais do que isso, temos o dever de desenvolvê-la.
O Brasil não é um país normal, mas normalidades (e banalidades) têm enorme utilidade por aqui. Nosso milagre econômico, tão parecido com os de outros emergentes, deve tudo à normalidade (e a banalidade) econômica consolidada nesses 16 anos da dualidade FHC-Lula.
O fim da era Lula foi o fim do recomeço, da retomada. Dilma inaugura, se tudo der certo, um Brasil maior que qualquer governo ou liderança, cujos méritos (e deméritos) serão antes de tudo dos brasileiros.
O bom-sensismo discreto de Dilma e Palocci pode ser o moderador ideal para o novo Brasil. O esfriamento das relações com o regime iraniano já é um alvissareiro começo.
Todo mundo já sabe o que falta fazer no país, o que se pode fazer e o que não se deve fazer. A nova velha tragédia das chuvas no Rio que o diga.
Mais do que nunca, precisamos de bom senso.
Dilma pode ser a cara. Palocci, a barba.
Sucesso para eles.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Dilma telefona para Cabral e se compromete a ajudar o Rio
Laryssa Borges
Direto de Brasília
A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, telefonaram nesta quarta-feira para o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e se comprometeram a providenciar "tudo o que for necessário" para ajudar as vítimas das fortes chuvas que recaem sobre o Estado do Rio, em especial Teresópolis e Nova Friburgo.
Ainda não estão definidos os recursos do governo federal a serem liberados para o território fluminense, mas o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, vai visitar ainda nesta quarta as regiões atingidas, em especial a região de Teresópolis.
"O governo pode se comprometer com tudo o que for necessário", disse o senador eleito pelo Rio, Lindberg Farias, que foi recebido por Palocci no Palácio do Planalto.
De imediato serão mobilizados os ministérios da Saúde, Integração, Defesa, Desenvolvimento Social, Transportes e Meio Ambiente, além do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para auxiliar as regiões atingidas com vacinas e medicamentos, hospitais de campanha, reconstrução e desobstrução de estradas.
Em Teresópolis, a Defesa Civil municipal registrou 48 mortes em alagamentos e deslizamentos. De acordo com a prefeitura, ainda não é possível contabilizar o número de desaparecidos e desabrigados porque muitas áreas continuam inacessíveis.
Em Petrópolis, a prefeitura informou que até o final desta manhã foi registrada a morte de um casal de idosos na localidade do Brejal. Outras sete pessoas morreram em deslizamentos de terra no Vale do Cuiabá, na região de Itaipava.
Nesta quarta, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, fez um sobrevoo na região e conversou com lideranças políticas sobre os estragos. O governador do Estado, Sérgio Cabral, disse em comunicado que lamenta pelas mortes e demonstrou solidariedade às famílias dos bombeiros mortos em Nova Friburgo. Cabral também solicitou o apoio da Marinha Brasileira, no transporte da frota e de equipamentos do Corpo de Bombeiros às áreas atingidas.
Direto de Brasília
A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, telefonaram nesta quarta-feira para o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e se comprometeram a providenciar "tudo o que for necessário" para ajudar as vítimas das fortes chuvas que recaem sobre o Estado do Rio, em especial Teresópolis e Nova Friburgo.
Ainda não estão definidos os recursos do governo federal a serem liberados para o território fluminense, mas o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, vai visitar ainda nesta quarta as regiões atingidas, em especial a região de Teresópolis.
"O governo pode se comprometer com tudo o que for necessário", disse o senador eleito pelo Rio, Lindberg Farias, que foi recebido por Palocci no Palácio do Planalto.
De imediato serão mobilizados os ministérios da Saúde, Integração, Defesa, Desenvolvimento Social, Transportes e Meio Ambiente, além do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para auxiliar as regiões atingidas com vacinas e medicamentos, hospitais de campanha, reconstrução e desobstrução de estradas.
Em Teresópolis, a Defesa Civil municipal registrou 48 mortes em alagamentos e deslizamentos. De acordo com a prefeitura, ainda não é possível contabilizar o número de desaparecidos e desabrigados porque muitas áreas continuam inacessíveis.
Em Petrópolis, a prefeitura informou que até o final desta manhã foi registrada a morte de um casal de idosos na localidade do Brejal. Outras sete pessoas morreram em deslizamentos de terra no Vale do Cuiabá, na região de Itaipava.
Nesta quarta, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, fez um sobrevoo na região e conversou com lideranças políticas sobre os estragos. O governador do Estado, Sérgio Cabral, disse em comunicado que lamenta pelas mortes e demonstrou solidariedade às famílias dos bombeiros mortos em Nova Friburgo. Cabral também solicitou o apoio da Marinha Brasileira, no transporte da frota e de equipamentos do Corpo de Bombeiros às áreas atingidas.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
A largada “apoteótica” do governo Dilma
Autor: Guilherme Fiuza
O Brasil finge que está escandalizado com a guerra sangrenta entre PT e PMDB por cargos no novo (velho) governo. Na verdade, o país já está acostumado com o festival de fisiologismo – tanto que consagrou nas urnas esse projeto de parasitismo do Estado. O que deveria escandalizar é aquilo que ninguém comenta: Dilma, a caixinha de surpresas, parece estar vazia. Empossada na Presidência (será que já é para valer?), a criatura de Lula não soltou nem um balão de ensaio – nem um Fome Zero para distrair a imprensa, como fez o chefe. Em sua primeira semana de governo, Dilma lançou o Ideia Zero.
Em meio a toda a espuma de feminismo reciclado, mitologia do oprimido e esquerdismo nostálgico (ai, que saudade da ditadura…), emerge o grande debate do novo governo: o valor do salário mínimo.
Nunca antes na história deste país se viu tamanha sinceridade na estreia de um governante. É sintomático que a primeira semana da primeira presidente – ou presidenta, como pede o fetiche libertário – seja marcada pela discussão sobre R$ 20 a mais ou a menos para o salário mínimo. A mensagem é clara e franca: às favas com o eufemismo revolucionário, vamos tratar do varejo.
Do discurso de posse da presidenta aos seus primeiros atos de governo, tudo é um show de coerência. Não há nenhum vestígio de projeto nacional, diretriz administrativa ou plano de ação. Apenas um equilíbrio perfeito entre a mistificação (a lenda da ex-guerrilheira) e a volúpia (o banquete partidário). Se a paisagem começa a parecer muito desértica, surge uma ministra para anunciar o PAC da miséria, dando continuidade ao milagre da multiplicação de slogans. O nascimento do governo Dilma vem provar, ao Brasil e ao mundo, como a inoperância pode ser exuberante.
E emocionante. Em seu primeiro discurso depois de empossada, no plenário da Câmara dos Deputados, Dilma Rousseff chorou. Era a parte mais difícil do script, para alguém mais afeita à distribuição de caneladas. O trecho escolhido para o pranto foi perfeito: “Sou, neste momento, presidenta de todos os brasileiros”. Faltou completar: “Principalmente os do PT e do PMDB”. Mesmo assim foi bonito, imaginando-se que “todos os brasileiros” inclui, por exemplo, a ex-escudeira Erenice Guerra, hoje exilada em sua nova mansão no Lago Sul.
O abraço emocionado de Dilma e Erenice na posse é um belo símbolo desse novo Brasil de todos, que não discrimina nem os traficantes de influência.
Os brasileiros do PT e do PMDB corresponderam imediatamente ao ideal de generosidade da presidenta. Um expoente do PMDB, ao ouvir de um ministro do PT que não ficasse chateado porque suas boquinhas no ministério perdido seriam preservadas, respondeu: “Não quero nada. Fica com tudo”. Ou seja: o Estado é deles, mas nada de apego. É um Brasil magnânimo que está nascendo.
Nesse espírito despojado, o ministério da presidenta deu o tom do que será a administração pública no novo governo. Ao tomar posse, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, explicou que não entende nada de sua nova pasta (“não tenho realmente o currículo desejado”). Mas ressalvou que não está só, lembrando que seu colega Edison Lobão, afilhado de Sarney, assumiu o Ministério de Minas e Energia sem entender nada do assunto também. Bem lembrado. O que não pode haver é desigualdade.
Já o novo ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, militante do PT e amigo da presidenta, deu uma aula de política cambial. Explicou que os leigos pensam que câmbio flutuante é como um Titanic, mas na verdade “é uma porção de patinhos de borracha flutuando na mesma onda”. Pela intimidade com o tema, Pimentel acaba tomando o lugar da ministra da Pesca. Não há o que temer. Deus está vendo isso tudo. Lula também. Ou vice-versa.
Publicado na revista “Época”
O Brasil finge que está escandalizado com a guerra sangrenta entre PT e PMDB por cargos no novo (velho) governo. Na verdade, o país já está acostumado com o festival de fisiologismo – tanto que consagrou nas urnas esse projeto de parasitismo do Estado. O que deveria escandalizar é aquilo que ninguém comenta: Dilma, a caixinha de surpresas, parece estar vazia. Empossada na Presidência (será que já é para valer?), a criatura de Lula não soltou nem um balão de ensaio – nem um Fome Zero para distrair a imprensa, como fez o chefe. Em sua primeira semana de governo, Dilma lançou o Ideia Zero.
Em meio a toda a espuma de feminismo reciclado, mitologia do oprimido e esquerdismo nostálgico (ai, que saudade da ditadura…), emerge o grande debate do novo governo: o valor do salário mínimo.
Nunca antes na história deste país se viu tamanha sinceridade na estreia de um governante. É sintomático que a primeira semana da primeira presidente – ou presidenta, como pede o fetiche libertário – seja marcada pela discussão sobre R$ 20 a mais ou a menos para o salário mínimo. A mensagem é clara e franca: às favas com o eufemismo revolucionário, vamos tratar do varejo.
Do discurso de posse da presidenta aos seus primeiros atos de governo, tudo é um show de coerência. Não há nenhum vestígio de projeto nacional, diretriz administrativa ou plano de ação. Apenas um equilíbrio perfeito entre a mistificação (a lenda da ex-guerrilheira) e a volúpia (o banquete partidário). Se a paisagem começa a parecer muito desértica, surge uma ministra para anunciar o PAC da miséria, dando continuidade ao milagre da multiplicação de slogans. O nascimento do governo Dilma vem provar, ao Brasil e ao mundo, como a inoperância pode ser exuberante.
E emocionante. Em seu primeiro discurso depois de empossada, no plenário da Câmara dos Deputados, Dilma Rousseff chorou. Era a parte mais difícil do script, para alguém mais afeita à distribuição de caneladas. O trecho escolhido para o pranto foi perfeito: “Sou, neste momento, presidenta de todos os brasileiros”. Faltou completar: “Principalmente os do PT e do PMDB”. Mesmo assim foi bonito, imaginando-se que “todos os brasileiros” inclui, por exemplo, a ex-escudeira Erenice Guerra, hoje exilada em sua nova mansão no Lago Sul.
O abraço emocionado de Dilma e Erenice na posse é um belo símbolo desse novo Brasil de todos, que não discrimina nem os traficantes de influência.
Os brasileiros do PT e do PMDB corresponderam imediatamente ao ideal de generosidade da presidenta. Um expoente do PMDB, ao ouvir de um ministro do PT que não ficasse chateado porque suas boquinhas no ministério perdido seriam preservadas, respondeu: “Não quero nada. Fica com tudo”. Ou seja: o Estado é deles, mas nada de apego. É um Brasil magnânimo que está nascendo.
Nesse espírito despojado, o ministério da presidenta deu o tom do que será a administração pública no novo governo. Ao tomar posse, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, explicou que não entende nada de sua nova pasta (“não tenho realmente o currículo desejado”). Mas ressalvou que não está só, lembrando que seu colega Edison Lobão, afilhado de Sarney, assumiu o Ministério de Minas e Energia sem entender nada do assunto também. Bem lembrado. O que não pode haver é desigualdade.
Já o novo ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, militante do PT e amigo da presidenta, deu uma aula de política cambial. Explicou que os leigos pensam que câmbio flutuante é como um Titanic, mas na verdade “é uma porção de patinhos de borracha flutuando na mesma onda”. Pela intimidade com o tema, Pimentel acaba tomando o lugar da ministra da Pesca. Não há o que temer. Deus está vendo isso tudo. Lula também. Ou vice-versa.
Publicado na revista “Época”
Dilma e Cristina representam liderança, afirma chanceler brasileiro
Depois de passar o dia ontem, em Buenos Aires, negociando a primeira viagem exterior da presidenta Dilma Rousseff, que irá à Argentina no próximo dia 31, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, afirmou que as presidentas Dilma Rousseff, do Brasil, e Cristina Kirchner, da Argentina, representam "liderança e coragem" na região. Na agenda de conversas que Dilma terá há discussões desde energia nuclear até questões da área social.
"[Brasil e Argentina] vivem um momento de grande potencial que teremos que aproveitar com mais integração", afirmou Patriota. "O comércio alcançou níveis sem precedentes", acrescentou. As informações são da Presidência da República da Argentina, que detalhou os principais trechos da entrevista coletiva, concedida por Patriota e o ministro das Relações Exteriores argentino, Héctor Timerman.
Depois das conversas de ontem, os governos do Brasil e da Argentina decidiram negociar, por meio de uma comissão bilateral, propostas para para exportar produtos com valor agregado para outros mercados. Em conversas com auxiliares, Timerman afirmou que as questões comerciais também terão espaço nas conversas de Dilma e Cristina Kirchner. O comércio entre Brasil e Argentina é intenso e só em 2010 registrou US$ 32,9 bilhões - favoráveis ao Brasil.
Ontem as autoridades do Brasil e da Argentina também foi acertado que representantes dos dois países vão acelerar as articulações para a construção do Complexo Hidrelétrico de Garabi, na região argentina de Corrientes e no estado do Rio Grande do Sul. O objetivo é começar as obras em 2012 para que no futuro a hidrelétrica seja capaz de gerar aproximadamente 2,9 mil megawatts.
Outra decisão é negociar a ampliação das parcerias nas áreas de energia nuclear e desenvolvimento social, além de tecnologia digital e investimentos no setor de mineração. De acordo com os dois chanceleres, Argentina e Brasil concordam ainda que é fundamental retomar o tema de reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Ambos os países disputam uma vaga no assento permanente do órgão
"[Brasil e Argentina] vivem um momento de grande potencial que teremos que aproveitar com mais integração", afirmou Patriota. "O comércio alcançou níveis sem precedentes", acrescentou. As informações são da Presidência da República da Argentina, que detalhou os principais trechos da entrevista coletiva, concedida por Patriota e o ministro das Relações Exteriores argentino, Héctor Timerman.
Depois das conversas de ontem, os governos do Brasil e da Argentina decidiram negociar, por meio de uma comissão bilateral, propostas para para exportar produtos com valor agregado para outros mercados. Em conversas com auxiliares, Timerman afirmou que as questões comerciais também terão espaço nas conversas de Dilma e Cristina Kirchner. O comércio entre Brasil e Argentina é intenso e só em 2010 registrou US$ 32,9 bilhões - favoráveis ao Brasil.
Ontem as autoridades do Brasil e da Argentina também foi acertado que representantes dos dois países vão acelerar as articulações para a construção do Complexo Hidrelétrico de Garabi, na região argentina de Corrientes e no estado do Rio Grande do Sul. O objetivo é começar as obras em 2012 para que no futuro a hidrelétrica seja capaz de gerar aproximadamente 2,9 mil megawatts.
Outra decisão é negociar a ampliação das parcerias nas áreas de energia nuclear e desenvolvimento social, além de tecnologia digital e investimentos no setor de mineração. De acordo com os dois chanceleres, Argentina e Brasil concordam ainda que é fundamental retomar o tema de reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Ambos os países disputam uma vaga no assento permanente do órgão
Dilma ignora pressão do PMDB e mantém formato de núcleo político
Christiane Samarco e Vera Rosa - O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff desistiu de ampliar a coordenação política do governo para incluir um representante do PMDB. Ao menos por enquanto, a ideia é manter fechado o núcleo da coordenação para facilitar a conversa neste período de crise entre petistas e peemedebistas por conta da partilha dos cargos do segundo escalão do governo.
Reunidos nesta segunda-feira, 10, com Dilma, o vice-presidente da República, Michel Temer, e os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, avaliaram que o tamanho do núcleo duro do governo é o ideal para resolver os problemas mais graves entre os maiores parceiros da aliança. Concluíram que o PT está bem representado e o PMDB tem o vice, que é presidente licenciado da legenda.
Por pressão do PMDB, Dilma chegou a cogitar a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), no grupo da coordenação, que se reúne semanalmente. A avaliação feita ontem, porém, é a de que incluir outro nome do PMDB, agora, seria abrir um precedente para que todos os demais partidos da base aliada - PSB, PDT, PC do B, PP, PR e PTB, entre outros - reivindicassem um assento no fórum. Neste caso, os ministros e a presidente entenderam que o núcleo político se transformaria numa assembleia dos governistas.
Outro inconveniente de se ampliar a coordenação, hoje restrita aos chamados "ministros da casa", é que PT e PMDB também não querem discutir seus problemas em público. Para o governo, permitir que os dois maiores partidos da coalizão "lavem a roupa suja" diante de outros aliados não convém para não alimentar a insatisfação dos demais com a partilha do poder e tumultuar a sucessão na Câmara.
Não há veto à participação de outros ministros no colegiado. Quando a agenda envolver um assunto do interesse de um ministério específico, o ministro será chamado ao debate. Está nos planos de Dilma, ainda, a formação de outro grupo mais amplo, com a participação de líderes e presidentes de partidos aliados, para discutir assuntos de interesse no Congresso, tal como ocorreu no governo Lula. Esses encontros, no entanto, só vão começar depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado.
A reunião formal da coordenação de governo, prevista para ontem de manhã e cancelada, na prática ocorreu apenas com um grupo mais fechado, que cuida dos litígios entre PMDB e PT. Dilma congelou as nomeações em empresas estatais até que se conclua a sucessão no Congresso, em 1.° de fevereiro, exatamente para facilitar as conversas em torno dos postos em disputa.
A tarefa de encontrar uma solução para os impasses foi entregue a Palocci e Temer, com a missão de evitar que o confronto ponha em risco a governabilidade e o acordo para eleger o petista Marco Maia (RS) presidente da Câmara. O que preocupa Dilma é a pauta extensa de interesse do Planalto no Congresso, que vai da votação do salário mínimo ao reajuste de aposentadorias, passando pelo Código Florestal.
Foi nesse contexto que a presidente suspendeu trocas no segundo escalão. Parlamentares do PMDB observam que o duelo foi só adiado. Mudanças pacíficas, contudo, estão liberadas. O exemplo de ontem foi a substituição de Gerson Penna, da equipe do ex-ministro José Gomes Temporão (PMDB), pelo petista Jarbas Barbosa para a Secretaria de Vigilância em Saúde.
A presidente Dilma Rousseff desistiu de ampliar a coordenação política do governo para incluir um representante do PMDB. Ao menos por enquanto, a ideia é manter fechado o núcleo da coordenação para facilitar a conversa neste período de crise entre petistas e peemedebistas por conta da partilha dos cargos do segundo escalão do governo.
Reunidos nesta segunda-feira, 10, com Dilma, o vice-presidente da República, Michel Temer, e os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, avaliaram que o tamanho do núcleo duro do governo é o ideal para resolver os problemas mais graves entre os maiores parceiros da aliança. Concluíram que o PT está bem representado e o PMDB tem o vice, que é presidente licenciado da legenda.
Por pressão do PMDB, Dilma chegou a cogitar a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), no grupo da coordenação, que se reúne semanalmente. A avaliação feita ontem, porém, é a de que incluir outro nome do PMDB, agora, seria abrir um precedente para que todos os demais partidos da base aliada - PSB, PDT, PC do B, PP, PR e PTB, entre outros - reivindicassem um assento no fórum. Neste caso, os ministros e a presidente entenderam que o núcleo político se transformaria numa assembleia dos governistas.
Outro inconveniente de se ampliar a coordenação, hoje restrita aos chamados "ministros da casa", é que PT e PMDB também não querem discutir seus problemas em público. Para o governo, permitir que os dois maiores partidos da coalizão "lavem a roupa suja" diante de outros aliados não convém para não alimentar a insatisfação dos demais com a partilha do poder e tumultuar a sucessão na Câmara.
Não há veto à participação de outros ministros no colegiado. Quando a agenda envolver um assunto do interesse de um ministério específico, o ministro será chamado ao debate. Está nos planos de Dilma, ainda, a formação de outro grupo mais amplo, com a participação de líderes e presidentes de partidos aliados, para discutir assuntos de interesse no Congresso, tal como ocorreu no governo Lula. Esses encontros, no entanto, só vão começar depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado.
A reunião formal da coordenação de governo, prevista para ontem de manhã e cancelada, na prática ocorreu apenas com um grupo mais fechado, que cuida dos litígios entre PMDB e PT. Dilma congelou as nomeações em empresas estatais até que se conclua a sucessão no Congresso, em 1.° de fevereiro, exatamente para facilitar as conversas em torno dos postos em disputa.
A tarefa de encontrar uma solução para os impasses foi entregue a Palocci e Temer, com a missão de evitar que o confronto ponha em risco a governabilidade e o acordo para eleger o petista Marco Maia (RS) presidente da Câmara. O que preocupa Dilma é a pauta extensa de interesse do Planalto no Congresso, que vai da votação do salário mínimo ao reajuste de aposentadorias, passando pelo Código Florestal.
Foi nesse contexto que a presidente suspendeu trocas no segundo escalão. Parlamentares do PMDB observam que o duelo foi só adiado. Mudanças pacíficas, contudo, estão liberadas. O exemplo de ontem foi a substituição de Gerson Penna, da equipe do ex-ministro José Gomes Temporão (PMDB), pelo petista Jarbas Barbosa para a Secretaria de Vigilância em Saúde.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Governo Dilma enterra projeto de regulação da mídia
O governo enterrou o projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins. Após encontro com a presidente Dilma Rousseff no Planalto, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse em tom diplomático e político que há outras prioridades para serem tocadas, como o projeto de banda larga, que pretende apresentar até o final de abril. "A banda larga vai ter prioridade e premência porque vamos discutir também o plano geral de metas de universalização", afirmou.
Pela tradição de Brasília, um governo "enterra" um projeto quando não estipula prazo para envio ao Congresso nem classifica a proposta como prioridade na agenda, observam assessores. Na entrevista, Paulo Bernardo disse que é preciso um "exame detalhado" do projeto para a possibilidade de abrir uma discussão ainda no âmbito do governo.
Ele relatou que recebeu nesta semana de ex-assessores de Franklin Martins a proposta. "Preciso olhar, fazer um exame detalhado da matéria", disse. "Certamente vamos ter que olhar cada ponto. Todos sabem que tem discussões de caráter econômico, regulação entre setores, disputas", justificou. "Tem discussões relativas aos direitos dos usuários, tem questões que dizem respeito à própria democracia. Vamos examinar tudo e ver como vamos encaminhar."
Pela tradição de Brasília, um governo "enterra" um projeto quando não estipula prazo para envio ao Congresso nem classifica a proposta como prioridade na agenda, observam assessores. Na entrevista, Paulo Bernardo disse que é preciso um "exame detalhado" do projeto para a possibilidade de abrir uma discussão ainda no âmbito do governo.
Ele relatou que recebeu nesta semana de ex-assessores de Franklin Martins a proposta. "Preciso olhar, fazer um exame detalhado da matéria", disse. "Certamente vamos ter que olhar cada ponto. Todos sabem que tem discussões de caráter econômico, regulação entre setores, disputas", justificou. "Tem discussões relativas aos direitos dos usuários, tem questões que dizem respeito à própria democracia. Vamos examinar tudo e ver como vamos encaminhar."
domingo, 9 de janeiro de 2011
O eterno deputado agora inferniza a vida da presidente
Por Christiane Samarco e Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 9/1/2011 0:22
Ele é filho de uma das oligarquias políticas mais tradicionais do Nordeste - os Alves - e em 2002, quando Dilma Rousseff nem sonhava em disputar uma eleição, já estava no oitavo mandato de deputado federal. Mas o nome de Henrique Eduardo Alves, o líder do PMDB que começou a infernizar a vida de Dilma antes mesmo de ela se sentar na cadeira de presidente, só ganhou projeção nacional por causa de um cargo que ele não ocupou.
Com 67 anos de idade e 40 anos de mandatos consecutivos na Câmara, o líder, que agora assume a função de atirador de elite do PMDB na guerra por cargos contra o PT, só se tornou conhecido no País quando a cúpula do partido impôs seu nome ao PSDB para compor a chapa presidencial de José Serra em 2002.
O deputado despontou na mídia não exatamente pela distinção da vice, mas pelo processo de separação litigiosa. No processo, a disputa com a ex-mulher Mônica Azambuja Alves em torno de contas bancárias no exterior acabou virando notícia e demolindo sua vaga na chapa de Serra.
Até então, Henrique era apenas mais um parlamentar de atuação política apagada e perfil de bon vivant, que sempre figurava nas listas de viagens em missão parlamentar, sobretudo as internacionais.
Jogo do blocão. Foi a briga por cargos com o PT que transformou o 'boa praça', de estilo conciliador, em 'verbalizador oficial' dos pleitos dos peemedebistas na barganha por espaço de poder.
Nessa luta, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está na mira como 'inimigo número 1 do PMDB', porque assumiu o comando do ministério tomando dois cargos estratégicos e recheados de verbas federais: a Secretaria de Atenção à Saúde e a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
A declaração de guerra foi feita por Alves em um telefonema a Padilha. 'O PMDB da Câmara vai fiscalizar seu ministério e não vamos lhe dar sossego. O partido não abrirá mão de ter o comando da Comissão de Saúde e já escalou o ex-ministro (da Saúde) Saraiva Felipe para isto.'
Foi a resposta à 'traição' do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT). Alves não se conforma por ter aceitado o trato fechado com o ministro petista de não mexer no comando da Embratur, que permaneceria com o PT, em troca de o PMDB manter o controle da Funasa e do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).
O líder está convencido de que Padilha demitiu os apadrinhados do PMDB com o aval de Palocci.
Não foi a primeira ameaça de dar o troco feita por Henrique depois da vitória da presidente Dilma. Ao perceber que sua movimentação para conquistar a presidência da Câmara neste primeiro biênio do governo Dilma não daria resultado, o líder decidiu montar um 'blocão parlamentar' em novembro. Reuniu PR, PP, PTB e PSC, com 199 deputados dispostos a fazer frente ao PT e pressionar o governo que nem sequer havia assumido.
Bem no estilo do morde e assopra, escreveu em seu Twitter que o objetivo da manobra não era o embate com o Palácio do Planalto e o PT. 'Este bloco não irá confrontar, e sim organizar o trabalho na Câmara e fora dela na composição do governo', alegou.
A segunda estocada no governo já é consequência da briga pela partilha de cargos. O líder peemedebista decidiu apoiar a discussão por um valor mais elevado do que o governo deseja para o salário mínimo. Em nota oficial, Henrique Alves negou que houvesse relação entre os dois fatos. 'Chegou a hora de o plenário debater e votar o salário mínimo', disse na nota.
'Misturar esse tema com a definição de cargos na composição natural do nosso governo é uma absurda e imperdoável irresponsabilidade', garantiu o deputado.
'Meio atabalhoado'. Apesar de ser o decano da Câmara, Alves nunca ocupou uma posição de maior relevância na Casa, até o momento em que foi escalado pelo então líder Geddel Vieira Lima (BA) para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o primeiro filtro por onde passam todas as propostas apreciadas pelos deputados.
Mesmo depois de assumir a liderança formal da bancada, não foi um líder de plenário ou um tribuno. Continuou cuidando mais das articulações e negociações de bastidor, deixando a operação do plenário para vice-líderes como Eduardo Cunha (RJ) e Mendes Ribeiro (RS). Também não é um formulador.
Os petistas o veem como interlocutor do PMDB, de fato e de direito, mas os líderes do partido o classificam como 'um líder meio atabalhoado', capaz de surpreender o governo e o PT com movimentos bruscos. E, precisamente por isso, entendem que ele provoca desconfiança.
Henrique não esconde que procura usar seu trânsito político para aprovar projetos que favoreçam o Rio Grande do Norte. O caso da proposta de construção do aeroporto de São Gonçalo, que pode gerar 30 mil empregos no Estado, é emblemático.
Primeiro, o deputado buscou o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma, então candidata, para a obra. No seu Twitter, o deputado deixa clara sua ação.
'Como vocês sabem, a construção do aeroporto é uma novela que se arrasta há 10 anos. Foi preciso uma decisão corajosa do presidente Lula e da ex-ministra Dilma para que o modelo de concessão fosse autorizado', postou em 29 de outubro e anunciando que, por isso, Dilma era sua candidata.
Ele é filho de uma das oligarquias políticas mais tradicionais do Nordeste - os Alves - e em 2002, quando Dilma Rousseff nem sonhava em disputar uma eleição, já estava no oitavo mandato de deputado federal. Mas o nome de Henrique Eduardo Alves, o líder do PMDB que começou a infernizar a vida de Dilma antes mesmo de ela se sentar na cadeira de presidente, só ganhou projeção nacional por causa de um cargo que ele não ocupou.
Com 67 anos de idade e 40 anos de mandatos consecutivos na Câmara, o líder, que agora assume a função de atirador de elite do PMDB na guerra por cargos contra o PT, só se tornou conhecido no País quando a cúpula do partido impôs seu nome ao PSDB para compor a chapa presidencial de José Serra em 2002.
O deputado despontou na mídia não exatamente pela distinção da vice, mas pelo processo de separação litigiosa. No processo, a disputa com a ex-mulher Mônica Azambuja Alves em torno de contas bancárias no exterior acabou virando notícia e demolindo sua vaga na chapa de Serra.
Até então, Henrique era apenas mais um parlamentar de atuação política apagada e perfil de bon vivant, que sempre figurava nas listas de viagens em missão parlamentar, sobretudo as internacionais.
Jogo do blocão. Foi a briga por cargos com o PT que transformou o 'boa praça', de estilo conciliador, em 'verbalizador oficial' dos pleitos dos peemedebistas na barganha por espaço de poder.
Nessa luta, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está na mira como 'inimigo número 1 do PMDB', porque assumiu o comando do ministério tomando dois cargos estratégicos e recheados de verbas federais: a Secretaria de Atenção à Saúde e a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
A declaração de guerra foi feita por Alves em um telefonema a Padilha. 'O PMDB da Câmara vai fiscalizar seu ministério e não vamos lhe dar sossego. O partido não abrirá mão de ter o comando da Comissão de Saúde e já escalou o ex-ministro (da Saúde) Saraiva Felipe para isto.'
Foi a resposta à 'traição' do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT). Alves não se conforma por ter aceitado o trato fechado com o ministro petista de não mexer no comando da Embratur, que permaneceria com o PT, em troca de o PMDB manter o controle da Funasa e do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).
O líder está convencido de que Padilha demitiu os apadrinhados do PMDB com o aval de Palocci.
Não foi a primeira ameaça de dar o troco feita por Henrique depois da vitória da presidente Dilma. Ao perceber que sua movimentação para conquistar a presidência da Câmara neste primeiro biênio do governo Dilma não daria resultado, o líder decidiu montar um 'blocão parlamentar' em novembro. Reuniu PR, PP, PTB e PSC, com 199 deputados dispostos a fazer frente ao PT e pressionar o governo que nem sequer havia assumido.
Bem no estilo do morde e assopra, escreveu em seu Twitter que o objetivo da manobra não era o embate com o Palácio do Planalto e o PT. 'Este bloco não irá confrontar, e sim organizar o trabalho na Câmara e fora dela na composição do governo', alegou.
A segunda estocada no governo já é consequência da briga pela partilha de cargos. O líder peemedebista decidiu apoiar a discussão por um valor mais elevado do que o governo deseja para o salário mínimo. Em nota oficial, Henrique Alves negou que houvesse relação entre os dois fatos. 'Chegou a hora de o plenário debater e votar o salário mínimo', disse na nota.
'Misturar esse tema com a definição de cargos na composição natural do nosso governo é uma absurda e imperdoável irresponsabilidade', garantiu o deputado.
'Meio atabalhoado'. Apesar de ser o decano da Câmara, Alves nunca ocupou uma posição de maior relevância na Casa, até o momento em que foi escalado pelo então líder Geddel Vieira Lima (BA) para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o primeiro filtro por onde passam todas as propostas apreciadas pelos deputados.
Mesmo depois de assumir a liderança formal da bancada, não foi um líder de plenário ou um tribuno. Continuou cuidando mais das articulações e negociações de bastidor, deixando a operação do plenário para vice-líderes como Eduardo Cunha (RJ) e Mendes Ribeiro (RS). Também não é um formulador.
Os petistas o veem como interlocutor do PMDB, de fato e de direito, mas os líderes do partido o classificam como 'um líder meio atabalhoado', capaz de surpreender o governo e o PT com movimentos bruscos. E, precisamente por isso, entendem que ele provoca desconfiança.
Henrique não esconde que procura usar seu trânsito político para aprovar projetos que favoreçam o Rio Grande do Norte. O caso da proposta de construção do aeroporto de São Gonçalo, que pode gerar 30 mil empregos no Estado, é emblemático.
Primeiro, o deputado buscou o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma, então candidata, para a obra. No seu Twitter, o deputado deixa clara sua ação.
'Como vocês sabem, a construção do aeroporto é uma novela que se arrasta há 10 anos. Foi preciso uma decisão corajosa do presidente Lula e da ex-ministra Dilma para que o modelo de concessão fosse autorizado', postou em 29 de outubro e anunciando que, por isso, Dilma era sua candidata.
Em fim de semana livre, Dilma caminha no Torto com seguranças e labrador
Dilma Rousseff passou seu primeiro fim de semana como presidente da República na Granja do Torto, em Brasília, sem compromissos oficiais.
Na manhã deste domingo, ela aproveitou a folga para fazer uma caminhada acompanhada de dois seguranças --um deles carregava um guarda-chuva, informa a repórter Fernanda Odilla, da Sucursal de Brasília.
Dilma vestia calça legging e camiseta pretas, boné branco e óculos escuros e foi avistada caminhando às 10h25, enquanto carros da segurança vistoriavam os principais acessos da residência oficial que tem características de casa de campo.
Nego, o fiel labrador herdado do ex-ministro José Dirceu, não estava na caminhada. Ao lado da presidente, estava um outro cão, de cor caramelo.
Mais cedo, por volta das 8h, entrou na Granja do Torto o assessor pessoal Anderson Braga Dorneles, o ex-office boy que acompanha Dilma há 17 anos.
Até o final da manhã deste domingo, Dilma não havia saído de casa no fim de semana.
Uma moradora de uma chácara ao lado da residência, que se diz fã declarada de Dilma, passou pelo local anunciando que traria mangas para a presidente. Ainda não apareceu com as frutas.
A presidente Dilma Rousseff é outra desde o fim da campanha. Os resultados da melhora na sua condição física são visíveis, desde que ela adotou uma rotina disciplinada de exercícios e alimentação.
Longe do stress da campanha, quando não conseguia controlar sua dieta nem resistir a tentações, como pratos à base de bacalhau, ou mesmo as folclóricas “polpettas” italianas – que estão entre seus pratos preferidos – Dilma agora caminha todas as manhãs e tenta manter uma alimentação balanceada.
Os quilos extras adquiridos no final da campanha e a aparência ligeiramente inchada são em parte culpa dos corticoides que a então candidata precisou tomar quando torceu o pé e teve uma inflamação no tendão.
Na primeira semana de governo, por causa da intensa agenda de trabalho, Dilma preferiu almoçar no próprio gabinete, no Planalto, mas optou sempre pelo que havia de mais leve no cardápio, como carnes brancas, saladas e pouco carboidrato.
É segredo de Estado qual o resultado da dieta da presidente diante da balança. Só se sabe que ela anda animada, perseverante e rindo à toa.
Na manhã deste domingo, ela aproveitou a folga para fazer uma caminhada acompanhada de dois seguranças --um deles carregava um guarda-chuva, informa a repórter Fernanda Odilla, da Sucursal de Brasília.
Dilma vestia calça legging e camiseta pretas, boné branco e óculos escuros e foi avistada caminhando às 10h25, enquanto carros da segurança vistoriavam os principais acessos da residência oficial que tem características de casa de campo.
Nego, o fiel labrador herdado do ex-ministro José Dirceu, não estava na caminhada. Ao lado da presidente, estava um outro cão, de cor caramelo.
Mais cedo, por volta das 8h, entrou na Granja do Torto o assessor pessoal Anderson Braga Dorneles, o ex-office boy que acompanha Dilma há 17 anos.
Até o final da manhã deste domingo, Dilma não havia saído de casa no fim de semana.
Uma moradora de uma chácara ao lado da residência, que se diz fã declarada de Dilma, passou pelo local anunciando que traria mangas para a presidente. Ainda não apareceu com as frutas.
A presidente Dilma Rousseff é outra desde o fim da campanha. Os resultados da melhora na sua condição física são visíveis, desde que ela adotou uma rotina disciplinada de exercícios e alimentação.
Longe do stress da campanha, quando não conseguia controlar sua dieta nem resistir a tentações, como pratos à base de bacalhau, ou mesmo as folclóricas “polpettas” italianas – que estão entre seus pratos preferidos – Dilma agora caminha todas as manhãs e tenta manter uma alimentação balanceada.
Os quilos extras adquiridos no final da campanha e a aparência ligeiramente inchada são em parte culpa dos corticoides que a então candidata precisou tomar quando torceu o pé e teve uma inflamação no tendão.
Na primeira semana de governo, por causa da intensa agenda de trabalho, Dilma preferiu almoçar no próprio gabinete, no Planalto, mas optou sempre pelo que havia de mais leve no cardápio, como carnes brancas, saladas e pouco carboidrato.
É segredo de Estado qual o resultado da dieta da presidente diante da balança. Só se sabe que ela anda animada, perseverante e rindo à toa.
Dilma tem 60 obras do PAC para inaugurar no primeiro ano de governo
A presidente Dilma Rousseff inicia o seu governo com boas oportunidades para reforçar o título de mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Só em 2011, cerca de 60 obras do programa serão inauguradas em setores como transportes, saneamento, energia elétrica e óleo e gás. Em média, Dilma poderá inaugurar cinco obras por mês, ou mais de uma por semana.
A maioria deveria ter sido concluída até dezembro de 2010, mas o cronograma não foi cumprido por uma série de fatores, como demora na concessão de licenças ambientais, falta de projetos básicos de qualidade, interferência do Tribunal de Contas da União (TCU) e problemas de gestão. Se não houver mais nenhum entrave, pelo menos, um terço dos projetos estará concluído até o fim do primeiro semestre, conforme levantamento feito pelo Estado, com base no último balanço do PAC nacional.
Uma das obras de maior peso é o Campo de Mexilhão, cujo início de operação já foi remarcado três vezes. De acordo com o relatório do PAC, o início da exploração da plataforma, que terá capacidade para produção diária de 15 milhões de metros cúbicos de gás, está marcado para 16 de março, junto com o gasoduto Caraguatatuba-Taubaté.
O empreendimento da Petrobrás, de R$ 4,6 bilhões, deverá contar com a presença da presidente, já que se trata de um projeto de extrema importância energética para o País. Dois meses antes, Dilma poderá ligar as turbinas da Hidrelétrica de Dardanelos, de 261 megawatts (MW), que está sendo construída no Rio Aripuanã, em Mato Grosso.
O projeto, tocado pela empresa privada Neoenergia e as estatais Chesf e Eletronorte, deveria ser inaugurado em dezembro de 2009. Mas, no meio do caminho, sofreu uma série de interrupções por determinação da Justiça e por invasões de índios. O último entrave pode ser o atraso na construção da linha de transmissão que vai escoar a energia da usina. Por enquanto, porém, a data de 30 de janeiro está mantida nos relatórios do PAC.
No setor portuário, as principais inaugurações devem ficar para o segundo semestre. Entre os projetos mais importantes estão as obras no Porto de Itaqui, que hoje não consegue atender à demanda crescente de grãos de novas fronteiras agrícolas como Tocantins, Piauí e oeste da Bahia. A dragagem dos berços 100 a 103 e a construção dos berços 100 a 101 (iniciada em 2006) estão dois anos atrasados. Seriam concluídos em março de 2008, mas as obras só devem terminar em julho de 2011.
Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, o Programa Nacional de Dragagem é uma das iniciativas mais elogiáveis do governo federal, mas demorou a pegar. Lançado em dezembro de 2007, o programa enfrentou problemas para o lançamento dos editais e só começou a engrenar a partir de 2009. 'Resolvida essa questão, o entrave ficará com os acessos terrestres, por rodovia e ferrovia, que continuam estrangulados', avalia Manteli.
Ele explica que o programa de dragagem permitirá a entrada de grandes navios nos portos brasileiros, além de dar mais segurança na movimentação das embarcações. Na prática, isso significa melhorar a produtividade, já que os navios podem sair mais carregados dos portos. Até outubro, dez obras de dragagem estavam em andamento nos terminais, quatro haviam sido concluídas e uma ainda precisava ser licitada.
A maioria deveria ter sido concluída até dezembro de 2010, mas o cronograma não foi cumprido por uma série de fatores, como demora na concessão de licenças ambientais, falta de projetos básicos de qualidade, interferência do Tribunal de Contas da União (TCU) e problemas de gestão. Se não houver mais nenhum entrave, pelo menos, um terço dos projetos estará concluído até o fim do primeiro semestre, conforme levantamento feito pelo Estado, com base no último balanço do PAC nacional.
Uma das obras de maior peso é o Campo de Mexilhão, cujo início de operação já foi remarcado três vezes. De acordo com o relatório do PAC, o início da exploração da plataforma, que terá capacidade para produção diária de 15 milhões de metros cúbicos de gás, está marcado para 16 de março, junto com o gasoduto Caraguatatuba-Taubaté.
O empreendimento da Petrobrás, de R$ 4,6 bilhões, deverá contar com a presença da presidente, já que se trata de um projeto de extrema importância energética para o País. Dois meses antes, Dilma poderá ligar as turbinas da Hidrelétrica de Dardanelos, de 261 megawatts (MW), que está sendo construída no Rio Aripuanã, em Mato Grosso.
O projeto, tocado pela empresa privada Neoenergia e as estatais Chesf e Eletronorte, deveria ser inaugurado em dezembro de 2009. Mas, no meio do caminho, sofreu uma série de interrupções por determinação da Justiça e por invasões de índios. O último entrave pode ser o atraso na construção da linha de transmissão que vai escoar a energia da usina. Por enquanto, porém, a data de 30 de janeiro está mantida nos relatórios do PAC.
No setor portuário, as principais inaugurações devem ficar para o segundo semestre. Entre os projetos mais importantes estão as obras no Porto de Itaqui, que hoje não consegue atender à demanda crescente de grãos de novas fronteiras agrícolas como Tocantins, Piauí e oeste da Bahia. A dragagem dos berços 100 a 103 e a construção dos berços 100 a 101 (iniciada em 2006) estão dois anos atrasados. Seriam concluídos em março de 2008, mas as obras só devem terminar em julho de 2011.
Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, o Programa Nacional de Dragagem é uma das iniciativas mais elogiáveis do governo federal, mas demorou a pegar. Lançado em dezembro de 2007, o programa enfrentou problemas para o lançamento dos editais e só começou a engrenar a partir de 2009. 'Resolvida essa questão, o entrave ficará com os acessos terrestres, por rodovia e ferrovia, que continuam estrangulados', avalia Manteli.
Ele explica que o programa de dragagem permitirá a entrada de grandes navios nos portos brasileiros, além de dar mais segurança na movimentação das embarcações. Na prática, isso significa melhorar a produtividade, já que os navios podem sair mais carregados dos portos. Até outubro, dez obras de dragagem estavam em andamento nos terminais, quatro haviam sido concluídas e uma ainda precisava ser licitada.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Artista plástico cria boneca em homenagem à presidente Dilma Rousseff
Assim como o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff também ganhou a sua versão em boneca.
O criador da boneca estilo “barbie” é o artista plástico carioca Marcos Baby, 41, que já fez ao todo 119 bonecas desde 2005, entre elas, artistas como Shakira e Lady Gaga.
Em seu site, Marcus conta que já havia decidido criar a "barbie Dilma" assim que a sua vitória nas eleições fosse confirmada.
“Decidi que criaria uma boneca da Dilma Rousseff no dia em que o William Bonner anunciar ao vivo na TV que ela teria ganho as eleições e que seria a nossa Presidente nos próximos quatro anos”, diz Marcus.
A "barbie Dilma" está vestida com a mesma roupa usada pela presidente na posse, não fosse por um detalhe: a troca do branco pelo vermelho. O fato quase levou Marcus a refazer a boneca, que levou dois meses para ser confeccionada.
O ex-presidente Lula também ganhou algumas versões em boneco, entre elas, uma feita pelo próprio PT para aumentar os fundos para a campanha de Dilma, no ano passado.
O criador da boneca estilo “barbie” é o artista plástico carioca Marcos Baby, 41, que já fez ao todo 119 bonecas desde 2005, entre elas, artistas como Shakira e Lady Gaga.
Em seu site, Marcus conta que já havia decidido criar a "barbie Dilma" assim que a sua vitória nas eleições fosse confirmada.
“Decidi que criaria uma boneca da Dilma Rousseff no dia em que o William Bonner anunciar ao vivo na TV que ela teria ganho as eleições e que seria a nossa Presidente nos próximos quatro anos”, diz Marcus.
A "barbie Dilma" está vestida com a mesma roupa usada pela presidente na posse, não fosse por um detalhe: a troca do branco pelo vermelho. O fato quase levou Marcus a refazer a boneca, que levou dois meses para ser confeccionada.
O ex-presidente Lula também ganhou algumas versões em boneco, entre elas, uma feita pelo próprio PT para aumentar os fundos para a campanha de Dilma, no ano passado.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Dilma envia Tombini e Patriota a Fórum em Davos
A presidenta Dilma Rousseff não participará das discussões do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), no período de 26 a 30 de janeiro. Em nome do governo brasileiro, irão negociar o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. A decisão foi tomada por Dilma porque, segundo assessores, há dificuldades de incluir o evento na agenda de compromissos da presidenta.
De 27 a 29 de abril, ocorrerá no Rio de Janeiro o 6º Fórum Econômico da América Latina. No ano passado, o presidente e fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, disse que o Brasil foi escolhido para sediar o encontro por causa do desempenho do país na América Latina. Em 2009, o mesmo evento ocorreu no Rio.
De 27 a 29 de abril, ocorrerá no Rio de Janeiro o 6º Fórum Econômico da América Latina. No ano passado, o presidente e fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, disse que o Brasil foi escolhido para sediar o encontro por causa do desempenho do país na América Latina. Em 2009, o mesmo evento ocorreu no Rio.
Dilma convoca ministros para discutir programa de erradicação da miséria
A presidente Dilma Rousseff convocou dez ministros para uma reunião amanhã, quinta-feira (6), a fim de tratar a ampliação de programas de combate à miséria.
Ela pediu que os assessores apresentem sugestões de novas medidas e metas. Em seu discurso de posse, Dilma afirmou que sua prioridade na Presidência será acabar com a fome no país.
Na posse, presidente projeta país de classe média sólida
Dilma promete luta obstinada para erradicar pobreza extrema
"A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos (...) Temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso", discursou.
Foram convocados para a reunião, no Palácio do Planalto, os ministros da área social Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), Alexandre Padilha (Saúde), Fernando Haddad (Educação), Carlos Lupi (Trabalho), Mário Negromonte (Cidades), Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), e os ministros da área econômica Guido Mantega (Fazenda), Antonio Palocci (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento).
Ela pediu que os assessores apresentem sugestões de novas medidas e metas. Em seu discurso de posse, Dilma afirmou que sua prioridade na Presidência será acabar com a fome no país.
Na posse, presidente projeta país de classe média sólida
Dilma promete luta obstinada para erradicar pobreza extrema
"A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos (...) Temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso", discursou.
Foram convocados para a reunião, no Palácio do Planalto, os ministros da área social Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), Alexandre Padilha (Saúde), Fernando Haddad (Educação), Carlos Lupi (Trabalho), Mário Negromonte (Cidades), Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), e os ministros da área econômica Guido Mantega (Fazenda), Antonio Palocci (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento).
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Guarulhos e Viracopos serão privatizados
A presidente Dilma Rousseff vai baixar ainda em janeiro, por meio de uma MP (Medida Provisória), um pacote que visa a desafogar aeroportos vitais para a Copa de 2014. Entre as mudanças no setor aeroportuário, está inclusa a privatização dos novos terminais dos aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas.
Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, a equipe de Dilma já conversou com empresas como TAM e Gol, que manifestaram interesse na construção e operação de novos terminais. O prazo da concessão deve ser de 20 anos. O texto da MP deve ficar pronto em 15 dias.
As informações também incluem a abertura do capital da Infraero (estatal responsável pela administração do setor) e a criação de uma secretaria ligada à Presidência da República para cuidar da aviação civil.
Segundo a Infraero, o governo federal precisa investir R$ 5,5 bilhões nos aeroportos ligados às 12 sedes da Copa. Sozinha, a estatal não teria condições de bancar esses projetos.
Durante o governo Lula, o ministro Nelson Jobim (Defesa) chegou a defender que a administração de todos os aeroportos fosse concedida à iniciativa privada. A ideia foi rejeitada por Lula e pela então ministra Dilma.
Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, a equipe de Dilma já conversou com empresas como TAM e Gol, que manifestaram interesse na construção e operação de novos terminais. O prazo da concessão deve ser de 20 anos. O texto da MP deve ficar pronto em 15 dias.
As informações também incluem a abertura do capital da Infraero (estatal responsável pela administração do setor) e a criação de uma secretaria ligada à Presidência da República para cuidar da aviação civil.
Segundo a Infraero, o governo federal precisa investir R$ 5,5 bilhões nos aeroportos ligados às 12 sedes da Copa. Sozinha, a estatal não teria condições de bancar esses projetos.
Durante o governo Lula, o ministro Nelson Jobim (Defesa) chegou a defender que a administração de todos os aeroportos fosse concedida à iniciativa privada. A ideia foi rejeitada por Lula e pela então ministra Dilma.
Contra crise entre PT e PMDB, Dilma suspende partilha de cargos
Vera Rosa, Christiane Samarco, João Domingos e Marcelo de Moraes - O Estado de S.Paulo
Na iminência da primeira crise política de seu governo, a presidente Dilma Rousseff agiu rápido para tentar conter a revolta do PMDB por conta da disputa com o PT pelos cargos importantes do segundo escalão do governo federal. Na reunião da coordenação política nesta segunda-feira, 3, no Palácio do Planalto, com os novos ministros, Dilma decidiu suspender a definição de cargos do segundo escalão até a eleição das presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. A presidente também acionou o presidente do Senado, José Sarney (AP), para tentar conter a rebelião no partido aliado.
O temor da presidente é que a disputa partidária contamine votações relevantes no Congresso e, sobretudo, crie um clima de revanche nas definições dos comandos no Congresso. A revolta do PMDB é tão grande que ontem o partido boicotou as cerimônias de transmissão de cargo dos ministros petistas Alexandre Padilha (Saúde), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
Convocado por Dilma na emergência da disputa, Sarney marcou para hoje uma reunião em sua casa, a partir das 11 horas, com o vice-presidente da República, Michel Temer, os líderes na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Renan Calheiros (AL), o presidente interino do partido, senador Valdir Raupp (RO), e líderes como o senador eleito Eunício de Oliveira (CE) e o deputado federal Eduardo Cunha (RJ).
Prioridade. A disputa partidária foi discutida ontem na primeira reunião da coordenação política convocada por Dilma. Em duas horas e meia de conversa, a presidente cobrou maior diálogo entre os partidos e priorizaram a questão econômica como principal tema de governo. Ao final da reunião, o ministro Luiz Sérgio minimizou a crise entre o PMDB e o PT. "Com toda sinceridade, não estamos vendo o que alguns órgãos estão noticiando de crise. A relação com o PMDB está muito boa", afirmou o petista.
Gestos. Da parte do governo, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, está prometendo aos peemedebistas que, apesar da perda de cargos importantes, eles serão recompensados com outros de orçamentos semelhantes. O PT tomou do PMDB a Secretaria de Atenção à Saúde (orçamento de R$ 45 bilhões), os Correios (R$ 12 bilhões) e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa, orçamento de R$ 5 bilhões).
"Tudo se resolverá no seu tempo e à sua maneira", disse Michel Temer a respeito da indignação do PMDB. "Vai depender de conversações, reuniões e postulações", afirmou ele, que ontem teve um encontro com Palocci. Temer tem procurado demonstrar que estará ao lado de Dilma, mas que não abandonará o seu partido. Tanto é que, em vez de renunciar à presidência do PMDB, ele apenas se licenciou do cargo por quatro meses. A direção do PMDB estabeleceu prazo de 48 horas para que se restabeleça o diálogo com o PT.
Recados. O primeiro recado claro do PMDB ontem foi para Alexandre Padilha, que assumiu a Saúde ignorado por peemedebistas. Padilha foi apontado como mentor do corte de cargos do partido no segundo escalão.
O outro recado foi para Luiz Sérgio, que assumiu o lugar de Padilha e será o responsável direto no governo Dilma pela interlocução com o Congresso, tratando da liberação de emendas orçamentárias e de outros recursos federais.
Na solenidade de posse de Luiz Sérgio, só dois peemedebistas desavisados apareceram. Um deles, o ex-senador Sérgio Machado, que preside a Transpetro. O outro, o deputado Geraldo Rezende (MS), não pertence à cúpula do partido.
O boicote foi mantido durante todo o dia. Vários peemedebistas prestigiaram a posse de Garibaldi Alves Filho na Previdência, e, embora estivessem a menos de 50 metros de distância do prédio onde Alexandre Padilha tomaria posse, não se preocuparam em fazer o ligeiro trajeto.
Na iminência da primeira crise política de seu governo, a presidente Dilma Rousseff agiu rápido para tentar conter a revolta do PMDB por conta da disputa com o PT pelos cargos importantes do segundo escalão do governo federal. Na reunião da coordenação política nesta segunda-feira, 3, no Palácio do Planalto, com os novos ministros, Dilma decidiu suspender a definição de cargos do segundo escalão até a eleição das presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. A presidente também acionou o presidente do Senado, José Sarney (AP), para tentar conter a rebelião no partido aliado.
O temor da presidente é que a disputa partidária contamine votações relevantes no Congresso e, sobretudo, crie um clima de revanche nas definições dos comandos no Congresso. A revolta do PMDB é tão grande que ontem o partido boicotou as cerimônias de transmissão de cargo dos ministros petistas Alexandre Padilha (Saúde), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
Convocado por Dilma na emergência da disputa, Sarney marcou para hoje uma reunião em sua casa, a partir das 11 horas, com o vice-presidente da República, Michel Temer, os líderes na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Renan Calheiros (AL), o presidente interino do partido, senador Valdir Raupp (RO), e líderes como o senador eleito Eunício de Oliveira (CE) e o deputado federal Eduardo Cunha (RJ).
Prioridade. A disputa partidária foi discutida ontem na primeira reunião da coordenação política convocada por Dilma. Em duas horas e meia de conversa, a presidente cobrou maior diálogo entre os partidos e priorizaram a questão econômica como principal tema de governo. Ao final da reunião, o ministro Luiz Sérgio minimizou a crise entre o PMDB e o PT. "Com toda sinceridade, não estamos vendo o que alguns órgãos estão noticiando de crise. A relação com o PMDB está muito boa", afirmou o petista.
Gestos. Da parte do governo, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, está prometendo aos peemedebistas que, apesar da perda de cargos importantes, eles serão recompensados com outros de orçamentos semelhantes. O PT tomou do PMDB a Secretaria de Atenção à Saúde (orçamento de R$ 45 bilhões), os Correios (R$ 12 bilhões) e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa, orçamento de R$ 5 bilhões).
"Tudo se resolverá no seu tempo e à sua maneira", disse Michel Temer a respeito da indignação do PMDB. "Vai depender de conversações, reuniões e postulações", afirmou ele, que ontem teve um encontro com Palocci. Temer tem procurado demonstrar que estará ao lado de Dilma, mas que não abandonará o seu partido. Tanto é que, em vez de renunciar à presidência do PMDB, ele apenas se licenciou do cargo por quatro meses. A direção do PMDB estabeleceu prazo de 48 horas para que se restabeleça o diálogo com o PT.
Recados. O primeiro recado claro do PMDB ontem foi para Alexandre Padilha, que assumiu a Saúde ignorado por peemedebistas. Padilha foi apontado como mentor do corte de cargos do partido no segundo escalão.
O outro recado foi para Luiz Sérgio, que assumiu o lugar de Padilha e será o responsável direto no governo Dilma pela interlocução com o Congresso, tratando da liberação de emendas orçamentárias e de outros recursos federais.
Na solenidade de posse de Luiz Sérgio, só dois peemedebistas desavisados apareceram. Um deles, o ex-senador Sérgio Machado, que preside a Transpetro. O outro, o deputado Geraldo Rezende (MS), não pertence à cúpula do partido.
O boicote foi mantido durante todo o dia. Vários peemedebistas prestigiaram a posse de Garibaldi Alves Filho na Previdência, e, embora estivessem a menos de 50 metros de distância do prédio onde Alexandre Padilha tomaria posse, não se preocuparam em fazer o ligeiro trajeto.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Dilma começa processo de privatização de aeroportos
Com apenas três dias de empossada, a presidente Dilma Rousseff decidiu começar o processo de privatização dos aeroportos. Ela pretende baixar uma medida provisória ainda neste mês, entregando à iniciativa privada a construção e a operação dos novos terminais dos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Vira-Copos, em Campinas, dois dos mais importantes do País.
A informação foi divulgada em reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, a medida é apenas uma parte do pacote que visa resolver o gargalo dos aeroportos nacionais por conta da Copa do Mundo de 2014.
Ainda segundo a reportagem, o pacote prevê também a abertura do capital da Infraero e criação de uma secretaria ligada à Presidência da República para cuidar da aviação civil.
O tempo de concessão para a operação nos terminais dos aeroportos de Guarulhos e Vira-Copos deve ser de 20 anos, segundo a Folha de S. Paulo. De acordo com a Infraero, os preparativos para a Copa de 2014, que já registram atrasos, preveem investimentos de R$ 5,6 bilhões em aeroportos.
A capacidade atual do aeroporto de Guarulhos é de 16,5 milhões de passageiros por ano, enquanto Vira-Copos pode receber 2 milhões de passageiros. Até novembro de 2010, 24.290.465 passaram por Guarulhos e 4.468.761por Vira-Copos.
A informação foi divulgada em reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, a medida é apenas uma parte do pacote que visa resolver o gargalo dos aeroportos nacionais por conta da Copa do Mundo de 2014.
Ainda segundo a reportagem, o pacote prevê também a abertura do capital da Infraero e criação de uma secretaria ligada à Presidência da República para cuidar da aviação civil.
O tempo de concessão para a operação nos terminais dos aeroportos de Guarulhos e Vira-Copos deve ser de 20 anos, segundo a Folha de S. Paulo. De acordo com a Infraero, os preparativos para a Copa de 2014, que já registram atrasos, preveem investimentos de R$ 5,6 bilhões em aeroportos.
A capacidade atual do aeroporto de Guarulhos é de 16,5 milhões de passageiros por ano, enquanto Vira-Copos pode receber 2 milhões de passageiros. Até novembro de 2010, 24.290.465 passaram por Guarulhos e 4.468.761por Vira-Copos.
Dilma visitará Argentina e Uruguai primeiro, diz assessor
A primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff deverá ser para a Argentina e o Uruguai, em datas ainda não definidas, segundo o assessor de assuntos internacionais da Presidencia, Marco Aurélio Garcia.
Neste domingo, após a cerimônia de transmissão de cargo para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, Garcia disse que, depois de ir aos países sul-americanos, Dilma deverá viajar para os Estados Unidos, para a China e para a Bulgária, terra natal de seu pai.
As datas dessas viagens tampouco estão definidas. Sobre o caso Cesare Battisti (ex-ativista político italiano que teve o pedido de extradição negado pelo governo brasileiro), o assessor da Presidência disse que as relações entre Brasil e Itália podem sofrer "pequenos contrangimentos durante um período brevíssimo". No entanto, ele afirmou que a presença do embaixador italiano na posse de Dilma indica que existe disposição para o diálogo.
"Ninguém deve se impressionar com posições políticas que estejam surgindo por parte de algumas figuras e alguns partidos. Isso é normal e sabemos lidar com essas situações", disse Garcia, que classificou de "soberana" a decisão brasileira no caso.
Primeiro dia
Em seu primeiro dia após tomar posse, a presidente Dilma Rousseff teve neste domingo uma série de encontros bilaterais com chefes de Estado e de governo estrangeiros.
Dilma se encontrou com o príncipe espanhol Felipe de Bourbon; com o presidente do Uruguai, José Mujica; com o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik; com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates; com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas; com o primeiro-vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura; e com o ex-primeiro-ministro do Japão Taro Aso.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deveria ser o primeiro líder a se reunir com a presidente neste domingo, mas cancelou o encontro. Chávez voltou a Caracas para acompanhar de perto as ações contra as enchentes que atingem o país.
Em todos os encontros, Dilma esteve acompanhada por Patriota e Garcia. Novo chanceler Em seu primeiro discurso como ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota elogiou o trabalho feito nos últimos oito anos por seu antecessor, Celso Amorim, de quem foi vice-chanceler. Segundo Patriota, o Brasil se consolidou como um "país sul-americano convicto" e um ator com "autoridade natural" para se engajar nos debates de política externa.
O chanceler disse esperar que grupos como o G20 sejam "sensíveis aos anseios e interesses dos mais de 150 países que não sentam em suas reuniões". Patriota deu ainda importância aos blocos sul-americanos do Mercosul e da Unasul, enfatizando a relação Brasil-Argentina, que, segundo ele, está na "plenitude".
Em sua fala de despedida, o ex-chanceler Celso Amorim disse que saía com a sensação de "dever cumprido" por ter praticado uma política externa "altiva e ativa". Segundo ele, a postura diplomática recente do Brasil atraiu a simpatia de "gente simples que talvez nem pensasse em relações exteriores" antes desse período.
Amorim se referiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o mentor da política externa brasileira dos últimos anos, citando a maior proximidade do Brasil com países da América do Sul e da África. O ex-chanceler afirmou que ele e Lula estabeleceram uma relação próxima à "telepatia" quanto à tomada de decisões.
Neste domingo, após a cerimônia de transmissão de cargo para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, Garcia disse que, depois de ir aos países sul-americanos, Dilma deverá viajar para os Estados Unidos, para a China e para a Bulgária, terra natal de seu pai.
As datas dessas viagens tampouco estão definidas. Sobre o caso Cesare Battisti (ex-ativista político italiano que teve o pedido de extradição negado pelo governo brasileiro), o assessor da Presidência disse que as relações entre Brasil e Itália podem sofrer "pequenos contrangimentos durante um período brevíssimo". No entanto, ele afirmou que a presença do embaixador italiano na posse de Dilma indica que existe disposição para o diálogo.
"Ninguém deve se impressionar com posições políticas que estejam surgindo por parte de algumas figuras e alguns partidos. Isso é normal e sabemos lidar com essas situações", disse Garcia, que classificou de "soberana" a decisão brasileira no caso.
Primeiro dia
Em seu primeiro dia após tomar posse, a presidente Dilma Rousseff teve neste domingo uma série de encontros bilaterais com chefes de Estado e de governo estrangeiros.
Dilma se encontrou com o príncipe espanhol Felipe de Bourbon; com o presidente do Uruguai, José Mujica; com o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik; com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates; com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas; com o primeiro-vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura; e com o ex-primeiro-ministro do Japão Taro Aso.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deveria ser o primeiro líder a se reunir com a presidente neste domingo, mas cancelou o encontro. Chávez voltou a Caracas para acompanhar de perto as ações contra as enchentes que atingem o país.
Em todos os encontros, Dilma esteve acompanhada por Patriota e Garcia. Novo chanceler Em seu primeiro discurso como ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota elogiou o trabalho feito nos últimos oito anos por seu antecessor, Celso Amorim, de quem foi vice-chanceler. Segundo Patriota, o Brasil se consolidou como um "país sul-americano convicto" e um ator com "autoridade natural" para se engajar nos debates de política externa.
O chanceler disse esperar que grupos como o G20 sejam "sensíveis aos anseios e interesses dos mais de 150 países que não sentam em suas reuniões". Patriota deu ainda importância aos blocos sul-americanos do Mercosul e da Unasul, enfatizando a relação Brasil-Argentina, que, segundo ele, está na "plenitude".
Em sua fala de despedida, o ex-chanceler Celso Amorim disse que saía com a sensação de "dever cumprido" por ter praticado uma política externa "altiva e ativa". Segundo ele, a postura diplomática recente do Brasil atraiu a simpatia de "gente simples que talvez nem pensasse em relações exteriores" antes desse período.
Amorim se referiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o mentor da política externa brasileira dos últimos anos, citando a maior proximidade do Brasil com países da América do Sul e da África. O ex-chanceler afirmou que ele e Lula estabeleceram uma relação próxima à "telepatia" quanto à tomada de decisões.
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